- USDT alcança US$ 186 bilhões em capitalização e supera o Ether
- ETH despenca 5,2% em 24 horas e atinge mínima anual a US$ 1.545
- USDC também ultrapassa XRP enquanto stablecoins batem recordes
A Tether (USDT) assumiu nesta sexta-feira o posto de segunda maior criptomoeda por capitalização de mercado, ultrapassando o Ether (ETH) após o token da rede Ethereum despencar para a mínima do ano. A inversão consolida um movimento estrutural no mercado cripto, em que stablecoins seguem ganhando peso enquanto ativos voláteis perdem tração.
O preço do ETH recuou 5,2% em 24 horas e está negociado a US$ 1.544,26 (R$ 8.038,29), conforme dados de mercado desta manhã. O tombo levou a capitalização do segundo maior protocolo do mundo para abaixo de US$ 185 bilhões. No mesmo momento, o USDT ostentava US$ 186 bilhões em valor de mercado, abrindo vantagem na corrida pela vice-liderança.
Stablecoins batem 15% do mercado cripto
Os números reforçam um padrão observado ao longo de 2026, a oferta de stablecoins não para de crescer e já responde por cerca de 15% da capitalização total do setor. Em relatório da 21Shares publicado na quinta-feira, a gestora destacou que o estoque de stablecoins encolheu mais de 30% no bear market anterior, mas agora atinge novos recordes sinal de que a demanda deixou de depender do ciclo de alta.
Andri Fauzan Adziima, líder de pesquisa do Bitrue Research Institute, afirmou que a virada “realça como o mercado ainda prefere estabilidade à volatilidade do ETH neste momento”. Alvin Kan, COO da Bitget Wallet, classificou o avanço das stablecoins como marco relevante para o mercado atual.
Para Kan, a profundidade de liquidez em dólar digital sustenta volumes maiores de negociação e abre espaço para inovação. Mas o executivo também deixou um recado direto à comunidade Ethereum, o ETH “precisa continuar entregando utilidade convincente e narrativa” para defender sua posição no ranking.
Ethereum Foundation corta equipe e perde tração
O contexto interno da rede ajuda a explicar o desconforto dos investidores. Nas últimas semanas, a Ethereum Foundation registrou saída de executivos-chave e cortou aproximadamente 20% do quadro de funcionários. Em paralelo, desenvolvedores e pesquisadores da fundação lançaram esta semana a Ethlabs, organização sem fins lucrativos bancada por tesourarias corporativas de ETH como Bitmine e Sharplink.
Mesmo no vermelho, o ativo encontrou compradores institucionais aproveitando o desconto. A Sharplink rompeu pausa de oito meses e voltou a comprar ETH, abocanhando 5.000 unidades na quinta-feira. A BitMine adicionou 76.881 moedas, mantendo compras agressivas mesmo com o preço testando suporte de longo prazo.
USDC flipa XRP e amplia dominância de stablecoins
A Tether não foi a única stablecoin a avançar posições no ranking. A USDC, emitida pela Circle, ultrapassou o XRP em capitalização de mercado. Com o token da Ripple recuando para a faixa de US$ 1,02 menor patamar desde novembro de 2024 sua capitalização caiu para US$ 64 bilhões, contra US$ 73,6 bilhões da USDC. O movimento aprofunda a crise técnica do XRP, que opera com indicadores de sobrevenda raramente vistos desde o ciclo de 2022.
Para o investidor brasileiro, a leitura prática é direta: a migração maciça para stablecoins funciona como termômetro de aversão a risco no mercado global. Exchanges nacionais como Mercado Bitcoin e Foxbit já reportam crescimento expressivo do par BRL/USDT em volume, refletindo o mesmo comportamento defensivo observado lá fora. Soma-se a isso a recente medida do Banco Central que encareceu operações com cripto no país, ampliando o custo de saída do investidor local que tenta proteger capital em dólar digital. A combinação de regulação mais dura e fuga global para stablecoins transforma a Tether num indicador-chave para acompanhar o sentimento do varejo nas próximas semanas.