21Shares reduz metas de 2026 após queda de preços e exploits em DeFi
ETFs de Bitcoin nos EUA mantêm 1,25 milhão de BTC apesar de saídas
Mercados de previsão devem cruzar US$ 100 bilhões em volume anual
A gestora suíça 21Shares revisou para baixo várias projeções otimistas que havia traçado para o setor cripto em 2026. No relatório de meio de ano, a casa argumenta que a adoção institucional segue avançando, mas condições enfraquecidas de mercado e participação tímida do varejo desaceleraram o ritmo esperado de crescimento.
O documento sustenta que a infraestrutura do setor amadureceu mais rápido do que os preços. Áreas como ETFs, regulação de stablecoins, tokenização e mercados de previsão evoluíram acima do esperado. Já as cotações fracas, grandes exploits em DeFi e a adoção corporativa abaixo do projetado empurraram metas para fora do alcance.
O Bitcoin opera atualmente em torno de US$ 59.371 (R$ 308.758,77), com queda de 3% em 24 horas. O ativo está bem distante do topo de cerca de US$ 126 mil registrado em outubro de 2025, citado pela própria 21Shares como ponto de virada do ciclo.
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Fonte: coinmarketcap
Ciclo de quatro anos segue intacto
Uma das conclusões mais firmes do relatório é que o ciclo de quatro anos do Bitcoin continua funcionando, mesmo com a classe de ativos ficando mais dependente do dinheiro institucional.
“Após o pico próximo a US$ 126 mil em outubro de 2025, o Bitcoin recuou de forma acentuada e segue negociando em linha com padrões anteriores pós-halving”, escreveram os analistas da gestora.
O ciclo previsível de quatro anos do Bitcoin continua sendo um fator determinante das condições de mercado. Fonte: 21shares
Para a equipe, a presença institucional suavizou drawdowns, mas não rompeu o comportamento cíclico. A leitura conversa com a tese de Ophelia Snyder, ex-cofundadora da 21Shares que deixou a empresa após a aquisição pela FalconX em 2025. Em publicação no Substack, ela observou que a base de investidores ficou maior, mais institucional e mais conectada ao sistema financeiro tradicional o que amplia o peso de narrativas concorrentes e fatores macro sobre o preço.
O cenário ajuda a contextualizar por que o ativo já testou suportes importantes nas últimas semanas, como mostrou a recente perda da faixa de US$ 60 mil em meio a quase US$ 1 bilhão em liquidações alavancadas.
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ETFs mantêm 1,25 milhão de BTC sob custódia
Mesmo com cerca de US$ 3 bilhões em saídas líquidas nos ETFs spot de Bitcoin dos EUA neste ano, a 21Shares avalia que os números não contam a história inteira. As posições somadas dos fundos permanecem ligeiramente acima de 1,25 milhão de BTC, perto do recorde histórico para o ativo nessa categoria.
“Investidores estão segurando posições durante a volatilidade ou montando alocações estratégicas em silêncio, mesmo com o Bitcoin operando bem abaixo das máximas”, escreveram os analistas.
A leitura sugere que parte do capital institucional continua entrando enquanto preços caem comportamento oposto ao do varejo, que tradicionalmente vende em pânico.
O relatório também destacou avanços regulatórios nos EUA, com os padrões genéricos de listagem aprovados pela SEC destravando uma fila de pedidos de ETFs cripto além de Bitcoin e Ether. A gestora citou o caso do Hyperliquid, cujos ETFs spot atraíram mais de US$ 150 milhões em menos de um mês.
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Mercados de previsão superam US$ 100 bilhões
Entre os setores que superaram expectativas, o relatório aponta os mercados de previsão como uma das áreas mais fortes de crescimento. A projeção é de que o volume anual de negociação ultrapasse US$ 100 bilhões ainda em 2026, impulsionado por plataformas como Polymarket e Kalshi.
A consolidação aparece como outro vetor dominante. Empresas listadas que carregam cripto no balanço começaram a divergir, com diversos pequenos tesouros corporativos negociando abaixo do valor dos próprios ativos digitais sinal de fusões à frente. Padrão semelhante aparece no ecossistema de layer-2 do Ethereum, onde alguns rollups dominantes ganham participação enquanto dezenas de redes menores lutam por liquidez.
Investidor brasileiro encara câmbio e IOF mais alto
Para o investidor doméstico, a leitura da 21Shares precisa ser filtrada por duas camadas adicionais. Primeira, o dólar a R$ 5,1814 mantém o Bitcoin acima de R$ 300 mil mesmo após a correção em moeda forte. Segunda, a recente medida do Banco Central tornou a compra de cripto mais cara no Brasil, comprimindo margens de quem opera via exchanges locais. O resultado é um ambiente em que a tese institucional global convive com fricções regulatórias específicas do mercado brasileiro.
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