Wall Street teme correção após S&P 500 subir 14% no 2º trimestre de 2026

  • S&P 500 acumula alta de 14% no 2º trimestre, melhor desempenho desde 2020
  • Kerux Financial projeta correção entre 10% e 20% nos próximos meses
  • Alavancagem via ETFs 3x e margem em corretoras preocupa estrategistas de Wall Street

O segundo trimestre de 2026 encerra com Wall Street dividida entre comemorar ganhos históricos e se preparar para uma correção. O S&P 500 subiu 14% desde abril, o melhor desempenho trimestral desde junho de 2020, segundo dados da FactSet. Mesmo estrategistas otimistas admitem que o rali pode ter passado do ponto.

A euforia veio concentrada em um setor, semicondutores. O PHLX Semiconductor Index (SOX) avançou mais de 80% no trimestre, o maior salto trimestral já registrado.

Lucros precisam entregar crescimento de 23%

O rali foi sustentado por revisões para cima nas projeções de lucro corporativo. John Butters, da FactSet, aponta um comportamento incomum: analistas elevaram as estimativas ao longo do trimestre, quando o padrão histórico é o contrário. A projeção de crescimento dos lucros do S&P 500 no 2º trimestre está em 23,1%. Se confirmada, será a segunda leitura seguida acima de 20%.

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Mark Hackett, estrategista-chefe da Nationwide, avalia que os lucros justificam a reprecificação, mas lista três gatilhos técnicos para uma queda: rebalanceamento de fim de trimestre, início do blackout de recompras corporativas e alavancagem elevada sustentando o mercado.

Ben Snider, estrategista do Goldman Sachs, foi mais direto em nota a clientes de 26 de junho, como todo o retorno anual do S&P 500 veio de revisões de lucro e não de expansão de múltiplos, o índice ficou tecnicamente mais barato. A pressão agora recai sobre as empresas entregarem números que confirmem o cenário embutido nos preços.

Kerux projeta queda de até 20% nos índices

David Laut, CIO da Kerux Financial, foi um dos mais duros. Para ele, a volatilidade vista em junho é apenas o começo.

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“É a ponta do iceberg, que pode virar uma correção de 10% a 20% nos mercados amplos”, disse.

O argumento tem base histórica, passou mais de um ano sem uma queda de dois dígitos nos índices americanos.

Lori Calvasina, do RBC, elevou o preço-alvo do S&P 500 nesta semana, mas alertou clientes a se prepararem para drawdowns entre 5% e 10% ao longo dos próximos 12 meses.

“O caminho para cima não será linear”, escreveu.

Warsh tira o Fed do piloto automático

Outra fonte de ruído é o Federal Reserve sob comando de Kevin Warsh. A postura menos loquaz do novo presidente do Fed, adotada em sua primeira coletiva em 17 de junho, jogou o mercado futuro contra a parede. Traders passaram a precificar alta de juros ainda em 2026 Bank of America projeta três aumentos até dezembro, enquanto outras casas trabalham com zero movimento.

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A reação no mundo cripto veio junto. O Bitcoin, cotado agora a US$ 60.363 (R$ 313.127), oscilou nas semanas seguintes ao discurso e chegou a testar níveis inferiores. Para investidores brasileiros, o cenário importa, com o dólar em R$ 5,2127, qualquer aperto monetário nos EUA tende a pressionar ativos de risco globalmente, incluindo as exchanges locais. Confira o efeito do discurso de Warsh no BTC.

SOXL triplica patrimônio e acende alerta

A alavancagem é o ponto mais sensível. Volume de opções, dívida de margem em corretoras e ativos em ETFs alavancados dispararam. O Direxion Daily Semiconductor Bull 3X (SOXL), que amplifica em três vezes o movimento diário do SOX, saiu de US$ 14,1 bilhões em ativos há um ano para quase US$ 34 bilhões no pico de 23 de junho segundo dados da Dow Jones Market Data no levantamento da MarketWatch.

Charlie McElligott, do Nomura, alerta que esses produtos aumentam a volatilidade do mercado à vista. Em 5 de junho, o Nasdaq caiu mais de 4% em um único pregão, a maior perda diária em mais de um ano. Chris Galipeau, do Franklin Templeton Institute, resumiu, “Muita especulação, e esses papéis estão nas mãos de jogadores fracos.” O paralelo com cripto é evidente o setor entra no 3º trimestre com liquidez fraca e alavancagem sendo desmontada, o que pode amplificar qualquer choque vindo da renda variável americana.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.