- Gêmeos Winklevoss transferem 1.000 BTC e 5.000 ETH para carteiras quentes da Gemini
- Arkham calcula lucro acumulado de US$ 1,7 bilhão dos irmãos com vendas de Bitcoin
- Movimento ocorre com BTC oscilando em torno de US$ 61 mil e ETFs sob resgates
Os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, fundadores da exchange Gemini, movimentaram cerca de US$ 60 milhões em bitcoin de suas carteiras de custódia de longo prazo para endereços quentes da própria corretora. A operação foi rastreada pela empresa de inteligência on-chain Arkham e reacende o debate sobre o papel dos gêmeos bilionários em momentos delicados do mercado.
Segundo os dados publicados pela Arkham em publicação no X, o movimento envolveu aproximadamente 1.000 BTC (US$ 60,3 milhões) e 5.000 ETH (US$ 7,7 milhões). Os responsáveis transferiram os ativos para carteiras operacionais da Gemini, normalmente usadas para preparar vendas no mercado à vista ou prover liquidez.
Arkham mapeia US$ 1,7 bilhão em lucro acumulado
A firma de análise on-chain estima que os gêmeos já embolsaram cerca de US$ 1,7 bilhão em vendas de bitcoin desde os primeiros anos da criptomoeda. A dupla começou a acumular BTC em 2013, quando o ativo valia menos de US$ 120, e chegou a controlar mais de 1% da oferta em circulação.
Mesmo depois de anos alienando parte da posição, os fundadores da Gemini ainda mantêm mais de US$ 300 milhões em criptoativos rastreáveis on-chain. O padrão de transferências para carteiras quentes já se repetiu diversas vezes, em março deste ano, um lote equivalente a US$ 130 milhões percorreu o mesmo caminho antes de, em parte, voltar aos endereços frios.
Realização com BTC oscilando em US$ 61 mil
O bitcoin é negociado em US$ 61.480, com alta modesta de 1,8% em 24 horas, mas sem conseguir romper a resistência do topo local. O ativo tenta se recuperar após um junho marcado pela pior saída mensal da história dos ETFs à vista americanos, que perderam US$ 4,5 bilhões em resgates líquidos.
Nesse contexto, a movimentação dos Winklevoss ganha peso simbólico. Não é o volume que assusta 1.000 BTC representam fração mínima do turnover diário mas o timing. Insiders calibram vendas durante fraquezas técnicas, levando o mercado a interpretar movimentos como sinalização estratégica, não simples gestão de tesouraria.
Críticos veem pressão artificial em momento sensível
Parte dos analistas considera a operação uma gestão natural de risco adotada por detentores que compraram BTC quando ele valia menos de três dígitos. Críticos apontam contradição, os Winklevoss defendem Bitcoin a US$ 1 milhão, mas vendem durante momentos recorrentes de estresse.
O padrão lembra outros grandes detentores públicos que oscilam entre discurso de longo prazo e realizações táticas. Como controlam a Gemini, os Winklevoss ganham agilidade operacional, mas expõem transferências ao monitoramento de plataformas especializadas on-chain.
Fluxo institucional segue negativo em dólar e BRL
Para o investidor brasileiro, o movimento chega em semana em que o dólar opera a R$ 5,2105. Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso acompanham preços globais, refletindo rapidamente vendas relevantes no mercado americano em BTC/BRL.
O fluxo institucional ainda joga contra, dados recentes mostram os ETFs de bitcoin acumulando oito pregões seguidos de resgates, com o IBIT da BlackRock liderando as saídas. Somado às movimentações de baleias como os Winklevoss e a episódios recentes de tesourarias corporativas zerando posições, o quadro reforça o cenário de oferta pressionada no curto prazo, mesmo com narrativa de longo prazo intacta entre os detentores estruturais.