Solana cria ferramenta que tira poder dos validadores em votações

  • Solana cria SGP e devolve voto direto aos delegadores de SOL
  • Proposta exige 100 mil SOL e apoio de 15% do stake ativo
  • Última tentativa de cortar emissão travou em 61,39% dos votos

A rede Solana passou a contar com um novo mecanismo de governança batizado de Solana Governance Proposals (SGP), que redistribui o peso do voto entre validadores e os investidores que delegam seus tokens. A ferramenta chega às vésperas de uma nova rodada de discussão sobre a emissão do SOL, tema que dividiu a comunidade no início do ano.

Pelo desenho aprovado, qualquer proposta precisa partir de uma conta de validador com pelo menos 100 mil SOL em stake, o equivalente a cerca de US$ 8,14 milhões pela cotação atual de US$ 81,40. Para sair do papel e ir à votação, é preciso reunir apoio de validadores que representem 15% do stake ativo. Com 428,1 milhões de SOL em staking, esse gatilho gira em torno de 64,2 milhões de tokens, algo próximo de US$ 5,2 bilhões.

Gráfico Solana
Fonte: coinmarketcap

Delegador tira poder de quem valida

A mudança central do SGP está no que acontece quando o delegador discorda do voto do validador. Por padrão, cada operador vota com todo o SOL delegado à sua conta. Mas o novo sistema permite que qualquer stakeholder emita voto independente, subtraindo aquele saldo do bloco original.

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Um exemplo prático: um validador com 1.000 SOL em stake, dos quais 800 vieram de um único investidor. Se esse investidor votar por conta própria, os 800 tokens saem do balanço do operador e vão para a opção escolhida a favor, contra ou abstenção. O validador fica apenas com 200 SOL de peso efetivo. Multiplicado por custodiantes, pools e exchanges com regras próprias que guardam SOL de milhares de clientes, o bloco assumido por um validador pode encolher rapidamente.

A aprovação exige que os votos a favor somem pelo menos dois terços do total contabilizado entre “a favor” e “contra”. Abstenções ficam fora do denominador, e não há exigência separada de quórum mínimo.

Fantasma da SIMD-0228 ronda a nova votação

O piso de 66,67% é justamente onde a última grande batalha por corte de emissão naufragou. A SIMD-0228, escrita por Tushar Jain e Vishal Kankani, da Multicoin Capital, propunha atrelar a emissão do SOL ao nível de participação em staking, reduzindo a inflação conforme a rede atingisse padrões de segurança considerados suficientes.

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A proposta recebeu 61,39% de aprovação, mesmo com participação de aproximadamente 74% do SOL em staking uma adesão que descartou qualquer leitura de desinteresse. Validadores com até 500 mil SOL votaram contra em mais de 60% das vezes, enquanto operadores maiores tenderam ao apoio.

Tomando aquele resultado como base, bastariam 5,28 pontos convertidos de “contra” para “a favor” para cruzar o teto. Reclassificar 7,92 pontos como abstenção teria efeito semelhante, já que essa opção sai da conta. Aplicado ao stake ativo atual e à mesma taxa de participação, esse ajuste equivale a cerca de 16,8 milhões de SOL algo em torno de US$ 1,37 bilhão.

Cronograma de emissão esbarra em juros de 3,75% nos EUA

A programação de inflação da Solana começou em 8% ao ano, cai 15% anualmente e mira um piso de longo prazo de 1,5%. Rastreadores independentes colocam a taxa atual perto de 3,76%. O número afeta o rendimento do staking, a receita do validador, a diluição de cada holder e o orçamento de segurança da rede.

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A comparação com o mundo tradicional é inevitável. O Federal Reserve manteve a banda dos fed funds entre 3,50% e 3,75% em junho, com o topo em 3,75% de acordo com o FRED. Um investidor que olha para a receita da Solana em dApps e compara com a renda fixa americana faz essa conta, ainda que o painel de governança da rede não faça.

Custodiantes e exchanges viram fiel da balança

Para o investidor brasileiro exposto ao SOL direta ou via produtos estruturados de corretoras locais, o desenho tem impacto prático. Custodiantes, pools de staking e exchanges com posição relevante passam a ter capacidade técnica de acionar votos em escala e retirar stake de validadores que votarem contra suas posições. É um poder que, na prática, sempre esteve com esses agentes, mas agora ganha canal formal.

O cenário oposto também está posto, se as interfaces de staking não facilitarem a participação, se custodiantes não construírem as ferramentas ou se os delegadores simplesmente ignorarem o processo, a receita dos validadores permanece intacta e a reforma inflacionária fica para a próxima rodada. Validadores menores, por sua vez, argumentam que cortar emissão comprime o rendimento que mantém operadores de margem estreita em funcionamento, empurrando stake para grandes operadores com receitas alternativas. Um relatório da Helius sobre a SIMD-0228 já havia detalhado essa tensão.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.