- Motley Fool estima Bitcoin entre US$ 300 mil e US$ 800 mil no pico de 2029
- 16,7 milhões de BTC estão parados há mais de 155 dias em carteiras
- Computação quântica entra como variável inédita para o próximo ciclo
Enquanto o clima entre investidores casuais lembra um velório, com o Bitcoin negociado a US$ 61.790 (R$ 320.072) nesta segunda-feira, analistas já mapeiam o que pode ser o próximo grande ciclo de alta da criptomoeda. Uma projeção divulgada pela Motley Fool cita valores entre US$ 300 mil e US$ 800 mil no pico do próximo bull market, previsto para 2029.
A tese se apoia em três pilares: aperto de oferta, halving programado para abril de 2028 e o padrão histórico das últimas quatro grandes valorizações do ativo. Nenhum deles é novo, mas a combinação segue funcionando ciclo após ciclo.
O ponto de partida está nas carteiras que não se mexem. Existem hoje 16,7 milhões de BTC parados há 155 dias ou mais no mesmo endereço, ante 13,7 milhões no mesmo estágio do ciclo em 2020. Como o teto absoluto de emissão é de 21 milhões de unidades, cada nova onda de acumulação por holders de longo prazo reduz o que efetivamente circula no mercado.
Halving de 2028 corta emissão pela quinta vez
O próximo halving, marcado para abril de 2028, vai cortar novamente pela metade a quantidade de bitcoins emitidos por bloco. É o quinto evento do tipo desde a criação da rede em 2009 e o mecanismo central que sustenta a narrativa de escassez programada.
Todos os topos históricos do Bitcoin ocorreram entre 12 e 18 meses após um halving. Se o padrão se repetir, o pico do próximo ciclo cairia em algum momento de 2029. O início do bull market, por sua vez, tende a acontecer após setembro de 2026, dentro da janela típica de 12 meses de bear market observada em ciclos anteriores.
As faixas de preço apontadas por modelos como stock-to-flow e regressão logarítmica são estimativas com margem elevada de erro. O que importa, na leitura da Motley Fool, é a direção, substancialmente acima dos níveis atuais. Uma casa como a Bitwise enxerga fundo próximo e projeta retomada ainda no segundo semestre, enquanto a HTX Research lista três condições para destravar o ciclo.
Computação quântica vira carta fora do baralho
A grande novidade em relação a ciclos anteriores é o risco quântico. É teoricamente possível que, nos próximos cinco anos, uma máquina quântica potente o bastante para quebrar a criptografia atual do Bitcoin exista. O próprio ChatGPT-5.5 estima 2042 como marco, mas o debate técnico admite janelas mais curtas.
Se a ameaça se tornar concreta, o mercado teria que digerir dois problemas ao mesmo tempo: a queda de confiança na segurança da rede e o processo político de decidir e implementar um upgrade criptográfico. O Bitcoin não tem CEO nem conselho mudanças precisam ser negociadas entre desenvolvedores, mineradoras e nodes. Isso costuma gerar drawdowns severos, como visto em disputas anteriores sobre tamanho de bloco.
Macro e liquidez podem amplificar ou cortar o ciclo
Ambiente monetário frouxo historicamente turbina o Bitcoin. O M2 dos Estados Unidos bateu recorde de US$ 23 trilhões em 2026, reforçando a tese de que dinheiro barato tende a beneficiar ativos escassos. O inverso também vale, aperto de liquidez pode abortar rallies mesmo com fundamentos on-chain favoráveis.
Para o investidor brasileiro, há uma camada extra. O Banco Central aperta regras de capital para exchanges cripto a partir de 2027, o que pode alterar a estrutura do mercado local exatamente na janela em que o próximo ciclo global começa. Corretoras nacionais terão de operar sob exigências mais duras de reserva, e o custo dessa adaptação pode se refletir em spreads e taxas para o usuário final.
Enquanto isso, dados de fluxo mostram baleias abocanhando US$ 16 bilhões em BTC em meio a resgates nos ETFs à vista. A dinâmica de mãos fortes acumulando enquanto varejo desiste é, historicamente, marca registrada dos meses que antecedem viradas de ciclo. A análise original da Motley Fool resume a expectativa em uma frase, os ingredientes do próximo bull market já estão sendo montados na atual fase de descrença.