HYPE resiste perto da máxima enquanto ETFs de BTC perdem US$ 6,5 bilhões

HYPE resiste perto da máxima enquanto ETFs de BTC perdem US$ 6,5 bilhões
  • ETFs à vista de Bitcoin acumulam oito semanas seguidas de saídas líquidas
  • Três ETFs de HYPE nos EUA já reúnem US$ 336 milhões sob gestão
  • Hyperliquid usa 99% das taxas do protocolo para recomprar HYPE

Enquanto os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos sangram capital, o token HYPE, nativo da Hyperliquid, opera colado à máxima histórica. A leitura vem da Coinshares, que enxerga na tokenomics do protocolo o principal motivo pelo qual o ativo escapa da pressão vendedora que atinge o restante do mercado cripto.

Luke Nolan, analista sênior da gestora, afirmou em nota enviada à imprensa que os fluxos de investimento oferecem “muito pouca ajuda” ao setor no momento. Os produtos ligados a Bitcoin completaram oito semanas consecutivas de resgates líquidos — a sequência mais longa desde o lançamento em janeiro de 2024. O saldo negativo passa de US$ 6,5 bilhões desde maio.

Os dados agregados por SoSoValue e Farside Investors mostram deterioração acelerada nos últimos dois meses. Em maio de 2026, as saídas somaram cerca de US$ 2,43 bilhões. Em junho, o rombo saltou para US$ 4,06 bilhões, o pior mês desde a estreia dos fundos. A pressão contamina também os ETFs de Ethereum, que registraram fluxos negativos no mesmo intervalo.

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O pano de fundo inclui movimentos de peso no mercado à vista. A Strategy vendeu 3.588 BTC durante a semana para financiar distribuições de ações preferenciais, sinalizando que até tesourarias corporativas estão reciclando parte do estoque para atender obrigações financeiras. Nesta terça-feira (7), o Bitcoin era negociado a US$ 62.956, ou R$ 323.675, com alta de 1,7% em 24 horas.

Três ETFs de HYPE somam US$ 336 milhões

Do outro lado da tela, a Hyperliquid segue captando dinheiro novo. Três ETFs à vista já rastreiam o HYPE no mercado americano. O Bitwise Hyperliquid ETF (BHYP) foi o primeiro a operar e faz staking das posições para gerar rendimento. O 21Shares Hyperliquid ETF (THYP) segue o FTSE Hyperliquid Index. O Grayscale Hyperliquid Staking ETF (HYPG) é o mais recente e oferece exposição via corretora tradicional.

Segundo a Coinshares, os três fundos registraram entradas líquidas em todas as semanas desde o lançamento em maio. Somente em junho, atraíram cerca de US$ 161 milhões, levando o patrimônio sob gestão nos EUA a aproximadamente US$ 336 milhões. Na Europa, os produtos ligados ao HYPE já administram mais de US$ 55 milhões.

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Os números parecem modestos em termos absolutos. Ajustados pelo valor de mercado do ativo, contudo, colocam o HYPE entre os lançamentos mais fortes já registrados no segmento de ETFs cripto, na avaliação de Nolan. “A força relativa frente ao mercado cripto mais amplo permanece clara”, disse o analista.

Buyback com 99% das taxas sustenta demanda

O ponto que a Coinshares destaca como diferencial é o mecanismo de captura de valor. A Hyperliquid direciona 99% das taxas cobradas na plataforma para recompras sistemáticas de HYPE no mercado aberto. Isso cria vínculo direto entre atividade do protocolo e demanda pelo token — algo raro entre projetos de camada 1 e derivativos on-chain.

O modelo lembra, em espírito, o que a Strategy faz com Bitcoin ao converter emissão de dívida em compra recorrente. A diferença é que aqui o motor é orgânico: quanto mais volume de perpétuos rodar na Hyperliquid, mais HYPE sai do mercado. Traders brasileiros que operam derivativos em DEXs já vêm citando o protocolo como alternativa a plataformas centralizadas afetadas por questões regulatórias.

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Fluxo diverge de Bitcoin e Ethereum

A divergência entre o comportamento do HYPE e o dos ETFs de BTC e ETH tem chamado atenção de mesas institucionais. Enquanto os produtos das gigantes tradicionais enfrentam saída inédita no primeiro semestre, a demanda por exposição regulada ao token da Hyperliquid cresceu em ritmo constante. Parte do fenômeno reflete rotação setorial dentro do próprio universo cripto — capital migrando de teses maduras para narrativas de yield e recompra.

No cenário brasileiro, o movimento é observado à distância. A B3 ainda não lista ETFs de tokens fora da faixa BTC/ETH, e a exposição ao HYPE passa por exchanges internacionais ou pela compra direta do ativo. Detalhes técnicos dos três produtos americanos estão disponíveis no painel público da SoSoValue. A continuidade do fluxo positivo depende agora da atividade no protocolo e da manutenção do apetite institucional por teses fora do eixo BTC-ETH nas próximas semanas.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.