- Peter Schiff acusa Michael Saylor de cometer fraude com declarações sobre a Strategy
- Strategy vendeu 3.588 BTC por US$ 216 milhões entre 29 de junho e 5 de julho
- Grayscale rebate Schiff e diz que venda pode ajudar Bitcoin a firmar fundo
O crítico histórico do bitcoin Peter Schiff voltou a atacar Michael Saylor e mirou desta vez a estrutura financeira da Strategy. Em entrevista ao podcast Crowded Market Report, o gestor afirmou que o executivo pode estar cometendo fraude ao exagerar o potencial de valorização da empresa e minimizar riscos apresentados a acionistas.
A fala ganhou peso porque veio dias depois de a companhia divulgar a segunda venda de BTC em poucas semanas. A Strategy comunicou à SEC que se desfez de 3.588 bitcoins entre 29 de junho e 5 de julho, arrecadando cerca de US$ 216 milhões para reforçar o caixa. Parte da posição foi liquidada abaixo do preço médio de aquisição, segundo o filing.
Schiff acusa Saylor de fraude sob leis de valores mobiliários
“Eu o acusei de fraude. Ele não me processou por difamação”, disse Schiff no programa.
O gestor sustenta que Saylor fez “representações materialmente falsas” a investidores da Strategy, uma empresa listada em bolsa e, portanto, sujeita à legislação de securities nos Estados Unidos.
O argumento central é que a Strategy migrou de maior compradora corporativa de BTC para vendedora estrutural. Schiff acredita que passivos judiciais futuros forçariam a companhia a liquidar mais moedas.
“Quanto menor o preço do Bitcoin, mais Bitcoin eles têm que vender para obter o dinheiro de que precisam”, afirmou.
A Strategy não se manifestou publicamente sobre as acusações.
Vale lembrar que a empresa ainda detém 843.775 BTC e mantém aproximadamente US$ 2,55 bilhões em caixa. Nos preços atuais, com o Bitcoin cotado a US$ 63.910 (cerca de R$ 328 mil), o estoque continua entre as maiores tesourarias corporativas do mundo mesmo com o recuo em relação às máximas históricas de 2025.
Grayscale rebate: venda pode ajudar BTC a firmar fundo
A leitura oposta veio da Grayscale Research. Zach Pandl afirma que novo framework da Strategy deve aliviar desconforto do mercado com financiamento corporativo da empresa. Segundo Pandl, a disposição de vender BTC para preservar liquidez tende a devolver confiança e pode ajudar o Bitcoin a encontrar “um fundo mais durável”.
A Grayscale calcula que a Strategy ainda tem cerca de US$ 52 bilhões em capacidade para honrar dividendos preferenciais nos próximos 17 meses. É o contraponto direto ao alarme de Schiff: onde o gestor vê iminência de liquidações forçadas, a Grayscale enxerga gestão de balanço convencional.
Efeito no fluxo de ETFs e nas exchanges locais
Para investidores brasileiros, embate importa porque Strategy virou principal termômetro da demanda corporativa por Bitcoin há dois anos. Uma mudança de comportamento da tesouraria de Saylor tende a reverberar em ETFs à vista listados nos EUA, que já acumulam saída relevante em 2026 o primeiro semestre fechou com resgates líquidos históricos, conforme saída inédita nos ETFs.
Venda adicional pode pressionar câmbio implícito nas exchanges brasileiras, que operam com prêmio ou desconto sobre cotação internacional. Corretoras como Mercado Bitcoin e Foxbit costumam replicar rapidamente movimentos bruscos de fluxo institucional, especialmente após comunicados enviados à SEC documentos que qualquer investidor pode consultar diretamente no portal EDGAR da SEC.
Schiff também recorreu ao argumento clássico de que Saylor teria obtido retorno superior com ouro, S&P 500 ou até um fundo de renda fixa.
“A Strategy fez dólar-cost averaging de US$ 60 bilhões por quase cinco anos e está US$ 14 bilhões no negativo”, disse.
A conta ignora ganhos não realizados em rodadas anteriores de aquisição e o efeito da valorização das ações da própria empresa, mas resume o tom da disputa, para Schiff, a tese cripto virou passivo, para a Grayscale, é ajuste tático de um balanço em transformação.