- 21Shares reduz metas para 2026 após queda de preços e exploits em DeFi
- Gestora reafirma ciclo de quatro anos do Bitcoin apesar de fluxo institucional
- ETFs spot de BTC mantêm 1,25 milhão de moedas perto da máxima histórica
A gestora suíça 21Shares revisou para baixo várias projeções otimistas que havia traçado para o setor cripto em 2026. No relatório de meio de ano, a empresa reconhece que a adoção institucional avançou, mas que preços fracos, baixa participação do varejo e exploits em DeFi tornaram inalcançáveis algumas das metas estipuladas no início do ciclo. A frase-chave do documento é direta: a infraestrutura amadureceu mais rápido do que o preço dos ativos.
O recorte interessa ao investidor brasileiro porque a 21Shares é uma das maiores emissoras de produtos cripto listados na Europa e suas leituras costumam pautar mesas institucionais que também operam BITH11, ETHE11 e os demais ETFs cripto listados na B3. Quando a gestora ajusta cenário, o reflexo aparece na alocação dos fundos multimercado locais que replicam essas teses.
Ciclo de quatro anos do Bitcoin segue intacto
Um dos pontos centrais do relatório é a constatação de que o Bitcoin continua obedecendo ao padrão histórico pós-halving. Depois de atingir o topo de US$ 126.000 em outubro de 2025, o ativo recuou com força e voltou a se comportar como em ciclos anteriores. Hoje o BTC opera a US$ 59.425, equivalente a cerca de R$ 309.122, uma correção que confirma a leitura dos analistas.
Os autores reconhecem que o capital institucional suavizou o tamanho dos drawdowns, mas rejeitam a tese de que ETFs e tesourarias corporativas teriam quebrado o ciclo. A interpretação é alinhada a outras vozes do mercado: analistas que acertaram a alta histórica projetam um novo topo apenas em 2027, depois de varrido o fundo deste ciclo.
Ophelia Snyder, cofundadora da 21Shares que deixou a empresa após a aquisição pela FalconX, reforçou o ponto em publicação no Substack. Para ela, a base de investidores ficou maior e mais conectada ao sistema financeiro tradicional, o que faz narrativas concorrentes, geopolítica e macroeconomia pesarem muito mais no preço do que antes.
ETFs de Bitcoin acumulam 1,25 milhão de BTC
O capítulo dedicado aos produtos listados traz o dado mais relevante para quem acompanha fluxo institucional. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saída líquida de cerca de US$ 3 bilhões em 2026, mas o estoque permanece logo acima de 1,25 milhão de BTC, próximo da máxima histórica do veículo.
A leitura da 21Shares é que investidores estão atravessando a volatilidade sem vender e, em alguns casos, montando posições estratégicas em silêncio. O comportamento contrasta com o noticiário recente, que mostrou o IBIT da BlackRock liderando saques pontuais. A combinação sugere rotação dentro da própria categoria, não abandono do produto.
A gestora também cita o avanço regulatório nos EUA, com os padrões genéricos de listagem aprovados pela SEC destravando uma fila de pedidos. O destaque vai para a Hyperliquid: ETFs spot do ativo captaram mais de US$ 150 milhões em menos de um mês após o lançamento.
Prediction markets devem superar US$ 100 bilhões
Entre os segmentos que superaram expectativas, a 21Shares aponta os mercados de previsão como vetor de crescimento mais consistente. A projeção é de volume anual acima de US$ 100 bilhões ainda em 2026, sustentado por plataformas como Polymarket e Kalshi.
O setor avança apesar da pressão regulatória. Nos EUA, a CFTC já trava nove disputas estaduais para garantir jurisdição federal sobre o segmento, o que tende a consolidar o mercado em torno de poucos operadores licenciados.
Consolidação pressiona tesourarias e rollups
O relatório identifica consolidação como tendência transversal. Empresas listadas que mantêm cripto no balanço começaram a divergir, e várias tesourarias menores negociam abaixo do valor das próprias reservas digitais — situação que tende a forçar fusões ou liquidações.
O mesmo padrão aparece no ecossistema de camada 2 do Ethereum: poucos rollups dominantes concentram volume, enquanto dezenas de redes secundárias lutam por usuários e liquidez. Para o investidor, o recado prático é que apostas em projetos médios e pequenos do segmento precisam considerar risco de obsolescência acelerada nos próximos trimestres.