- SBI Holdings pagará 46,7 bilhões de ienes pela totalidade das ações da Bitbank
- Grupo combinado somará 2,92 milhões de contas e US$ 6,8 bilhões sob custódia
- Fechamento previsto para outubro de 2026 depende do aval antitruste japonês
A SBI Holdings assinou acordos para adquirir 100% da exchange japonesa Bitbank por 46,7 bilhões de ienes, cerca de US$ 288,6 milhões. O anúncio foi feito em 24 de junho pelas duas empresas e marca a maior consolidação já registrada no mercado regulado de criptoativos do Japão.
A operação será conduzida pela SBICAH GK, braço de investimentos do grupo, e transformará a Bitbank em subsidiária integral. O desenho prevê duas etapas: em agosto, a SBI compra as ações dos fundadores e de pessoas físicas. Até o fim de outubro, a própria Bitbank recompra as fatias detidas por MIXI e Ceres, encerrando a transição societária.
O fechamento depende da Comissão de Comércio Justo do Japão e de outras condições padrão. A previsão das partes é concluir o negócio por volta de outubro de 2026. Em comunicado aos clientes, a Bitbank afirmou que serviços, saques e negociações seguem normalmente durante a transferência de controle.
SBI passa bitFlyer e Coincheck em volume
Somada à SBI VC Trade, a operação combinada deve reunir 2,92 milhões de contas e cerca de 1,1 trilhão de ienes em ativos sob custódia — aproximadamente US$ 6,8 bilhões. Esse volume coloca o grupo à frente de bitFlyer e Coincheck por giro negociado, tornando-o o maior operador regulado do país.
A escalada veio em série. Em abril de 2026, a VC Trade absorveu a Bitpoint Japan. Agora, a Bitbank entra no portfólio com uma marca conhecida pela base institucional local e pelo histórico de zero incidentes de segurança desde a fundação, segundo a própria empresa. Para o CEO Noriyuki Hirosue, que está entre os vendedores, o acordo encerra um ciclo de mais de uma década à frente da exchange.
O timing não é casual. Autoridades japonesas avaliam reclassificar criptoativos sob a Financial Instruments and Exchange Act, mudança que pode entrar em vigor já no ano fiscal de 2027. Caso aprovada, exchanges enfrentarão exigências de compliance equivalentes às de corretoras de valores — cenário favorável a grupos capitalizados e que tende a sufocar plataformas independentes menores.
JPYSC, RLUSD e cartão Visa em Bitcoin
A SBI vem montando uma estrutura financeira completa em torno do mercado cripto. No mesmo dia do anúncio da Bitbank, o grupo lançou o JPYSC, primeira stablecoin de iene lastreada por banco fiduciário no Japão. Antes disso, havia colocado em circulação um cartão Visa que converte gastos em Bitcoin e outras criptomoedas via SBI VC Trade.
O grupo também participou do colançamento da RLUSD, stablecoin de dólar da Ripple, no mercado japonês. A combinação de exchange, custódia, stablecoins próprias e meios de pagamento atrelados a cripto cria um conglomerado dificilmente replicável pela concorrência local no curto prazo. O comunicado oficial da SBI Holdings detalha as duas etapas do acordo societário.
Recado para o mercado brasileiro
O movimento japonês ecoa um padrão que já se desenha no Brasil. A CVM e o Banco Central avançam na regulamentação prática da Lei 14.478/2022, e exchanges menores tendem a perder espaço diante de exigências de capital, segregação patrimonial e governança. A consolidação observada na Ásia oferece uma prévia do que pode acontecer aqui: grupos financeiros tradicionais absorvendo plataformas cripto à medida que o custo regulatório sobe.
Outro paralelo está na frente de stablecoins. Enquanto a SBI lança o JPYSC, a corrida da Tether pelo varejo brasileiro avança via integrações como a conexão entre USDT e Pix. Para o investidor que opera localmente, o sinal é claro: emissores de stablecoin lastreadas em moeda local e cartões cripto-fiat devem se multiplicar no próximo ciclo regulatório, seguindo o roteiro já testado pelos japoneses.
No mercado spot, a notícia chega em momento de pressão. O Bitcoin opera a US$ 59.193, com queda de 1,9% em 24 horas, enquanto o Ethereum recua 3,5% e ronda US$ 1.560. O contraste entre exchanges sob estresse de fluxo e movimentos bilionários de M&A reforça a tese de que a próxima fase da indústria será disputada por balanços, não por marketing.