- Base inclui versões tokenizadas de Vale, Santander, AB InBev e Unilever
- Contrato VALEc registra 97 endereços e 1.352 transferências
- Oferta prevê lastro em ações e acesso restrito a jurisdições elegíveis fora dos EUA
A Base, blockchain de segunda camada desenvolvida pela Coinbase, ampliou sua oferta de ações tokenizadas com ativos vinculados à mineradora brasileira Vale e às multinacionais Santander, AB InBev e Unilever. A novidade foi divulgada pela comunidade brasileira da rede na quarta-feira (28), reforçando a expansão da tokenização de ativos do mundo real (RWA).
Com a iniciativa, investidores podem obter exposição econômica às ações dessas companhias por meio de tokens registrados em blockchain. Os ativos podem ser mantidos em carteiras de autocustódia e negociados em plataformas descentralizadas compatíveis, sem depender necessariamente da infraestrutura de uma corretora tradicional.
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Os registros mostram que os contratos dessas quatro empresas já haviam sido criados em 8 e 9 de outubro. A expansão acontece após o lançamento dos Coinbase Tokenized Stocks, anunciado em 24 de agosto de 2026, inicialmente com empresas como Apple, NVIDIA, Microsoft e Tesla.
Vale e Santander ganham versões tokenizadas: veja os contratos
Entre os ativos identificados está o VALEc, certificado tokenizado que oferece exposição às ações da Vale negociadas nos Estados Unidos. O contrato foi criado na rede Base em 8 de outubro e já aparece nos registros de acompanhamento de ativos tokenizados da Coinbase.
A plataforma de preços da Coinbase apresenta aproximadamente 4.380 unidades do VALEc em circulação. O ativo também aparece em plataformas de monitoramento da blockchain, permitindo acompanhar transferências, saldos e movimentações das carteiras.
Além da Vale, os investidores encontram tokens relacionados ao Banco Santander S.A., grupo financeiro espanhol controlador do Santander Brasil; à AB InBev, multinacional cervejeira sediada na Bélgica; e à Unilever, companhia britânica de bens de consumo.
Os quatro contratos identificados na rede Base são:
| Empresa | Token | Endereço do contrato |
|---|---|---|
| Vale S.A. | VALEc | 0xB20000000000000000000063376b142C0764B489 |
| Banco Santander S.A. | SANc | 0xB20000000000000000000017BB66E9301E913A99 |
| AB InBev | BUDc | 0xB200000000000000000000c36ce081Dd09e86cA2 |
| Unilever PLC | ULc | 0xB200000000000000000000349ef3Aa93a0897476 |
Fonte: registros de emissão acompanhados pelo Stocks On Chain e páginas dos ativos na Coinbase. Todos os endereços correspondem à rede Base.
É importante observar que esses tokens não representam diretamente os papéis negociados na B3. O VALEc acompanha a exposição da Vale no mercado norte-americano, enquanto o SANc está relacionado ao Banco Santander S.A., e não às ações SANB11 do Santander Brasil.
Da mesma forma, o BUDc acompanha a AB InBev, controladora da Ambev, mas não representa diretamente os papéis ABEV3. Os investidores devem verificar o ativo subjacente antes de realizar qualquer operação.
Como funcionam as ações tokenizadas da Coinbase
O sistema utiliza o B20, padrão desenvolvido para a rede Base e compatível com a estrutura ERC-20. Ele permite transformar instrumentos financeiros em tokens programáveis, que podem circular entre carteiras digitais e interagir com aplicações de finanças descentralizadas (DeFi).
Segundo a Coinbase, os ativos são emitidos pela Coinbase Onchain SPV Ltd, sediada no Abu Dhabi Global Market (ADGM). Cada token começa com lastro equivalente a uma ação real mantida em uma estrutura de custódia segregada. A Alpaca Securities atua como custodiante dos ativos subjacentes.
Diferentemente de tokens que apenas reproduzem a variação de preços por meio de contratos sintéticos, os certificados da Coinbase possuem lastro em valores mobiliários. Entretanto, a aquisição de um token não equivale à compra direta de uma ação registrada no nome do investidor, nem confere automaticamente direitos de voto nas assembleias das empresas.
Outra característica é o tratamento de dividendos e desdobramentos. O padrão B20 utiliza um multiplicador que ajusta a quantidade de ações subjacentes correspondente a cada token. No caso dos dividendos, os valores líquidos podem ser reinvestidos, refletindo o benefício econômico no multiplicador, em vez de serem necessariamente pagos em dinheiro ao detentor.
A Base também destaca a possibilidade de utilização desses ativos no mercado DeFi. Protocolos como Aerodrome oferecem infraestrutura para negociação descentralizada, enquanto o Aave já disponibiliza suporte a determinados tokens de ações da Coinbase como garantia em operações de empréstimo. Isso não significa, porém, que todos os novos tokens estejam automaticamente habilitados nesses serviços.




