- Bitcoin rompe US$ 81 mil e tem US$ 83.400 como próximo alvo técnico
- CPI na terça, PPI na quarta e última sessão de Powell pressionam o BTC
- Trump acusa Irã de ludibriar EUA por 47 anos e eleva risco geopolítico
O Bitcoin (BTC) abriu a semana acima de US$ 81 mil e colocou na mira a faixa de US$ 83.400, projeção apoiada em retração de Fibonacci e em uma média móvel exponencial que vinha barrando o ativo desde janeiro. A travessia, porém, depende de um calendário macro carregado e de um novo capítulo de tensão entre Estados Unidos e Irã.
Na cotação desta segunda, o ativo era negociado a US$ 81.269, ainda preso a um canal ascendente iniciado em abril próximo aos US$ 60 mil. O ganho acumulado desde a mínima de fevereiro chega a cerca de 35%, sustentado por uma sequência de captações em ETFs à vista nos Estados Unidos.
Calendário macro pressiona o Bitcoin
A agenda da semana concentra quatro divulgações capazes de mexer com a curva de juros americana em minutos. Na terça sai o CPI de abril, na quarta o PPI e o relatório mensal da OPEP, na quinta as vendas no varejo e, na sexta, o dado de produção industrial.
Sexta-feira também marca a última sessão de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve. O substituto, Kevin Warsh, é visto como mais alinhado a uma postura hawkish, o que adiciona uma camada de incerteza para ativos de risco. O BitNotícias detalhou esse rearranjo de poder na análise sobre a chegada de Warsh ao Fed.
O CPI tem peso desproporcional. Leituras abaixo do consenso costumam reforçar o apetite por risco e antecipar apostas em cortes de juros. Dados quentes empurram o ciclo de afrouxamento adiante e tendem a esfriar o BTC, como mostrou a projeção do Fed de Cleveland para a inflação americana. No Brasil, qualquer ajuste nas expectativas para o dólar tende a respingar diretamente no preço do Bitcoin em real nas exchanges locais, que negociam o ativo perto da casa dos R$ 450 mil.
Trump aciona pressão geopolítica
No fim de semana, Donald Trump acusou o Irã de enganar os Estados Unidos por 47 anos e mirou diretamente em Barack Obama. O ex-presidente teria entregue a Teerã, segundo Trump, US$ 1,7 bilhão em dinheiro físico durante seu mandato, valor descrito como tábua de salvação para o regime iraniano. A publicação foi feita em sua conta na Truth Social.
Trump não anunciou novas sanções nem ações militares. Ainda assim, a retórica chega num momento sensível para o mercado, com o BTC tentando romper resistências relevantes. Eventos no Oriente Médio têm efeito imediato no petróleo e, por extensão, no dólar e no apetite global por risco.
Leitura técnica e fluxo de ETFs
O obstáculo imediato é a EMA de 200 dias, em US$ 82.036. Esse nível coincide com uma zona de oferta pesada que rejeitou o preço várias vezes entre janeiro e fevereiro. Um fechamento diário acima dele seria o primeiro em quase quatro meses.
Caso a barreira ceda, o próximo alvo é a retração de 61,8% de Fibonacci, em US$ 83.399, no topo do canal. A continuação do movimento projeta extensão até cerca de US$ 86.500 nas semanas seguintes. Para baixo, a perda de US$ 78.915 rompe a estrutura e abre caminho para US$ 74.431 e, em último caso, US$ 68.884.
O RSI diário já marca 65,56, com média móvel em 61,89. Ambos acima do nível neutro, mas próximos da zona de sobrecompra. Leituras passadas acima de 70 antecederam fases de resfriamento — risco analisado em detalhe na leitura do RSI publicada pelo BitNotícias.
Por trás do movimento está o fluxo institucional. Os ETFs à vista nos EUA registraram cerca de US$ 2,7 bilhões em entradas líquidas em nove pregões consecutivos no fim de abril, com IBIT da BlackRock e FBTC da Fidelity liderando. O patrimônio combinado dos produtos passou de US$ 100 bilhões, e essa demanda recorrente tem segurado o piso do canal mesmo quando o noticiário macro vira contra o ativo.
O trader Killa resumiu o ceticismo de parte do mercado em uma frase publicada nas redes: nunca confiar em uma alta de fim de semana do Bitcoin. A próxima leitura virá já na terça-feira, com o CPI.

