- Strategy não vende ações STRC desde maio, segundo arquivamentos semanais da empresa
- Compras recentes de Bitcoin foram bancadas com venda de ações ordinárias MSTR
- Reserva em dólar da companhia somava US$ 5,02 bilhões em 27 de setembro
O canal de captação que sustentou a maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo está travado há quase cinco meses. É o que aponta Peter Schiff, crítico de longa data do ativo, ao analisar os números da Strategy, antiga MicroStrategy, comandada por Michael Saylor.
Schiff fez a avaliação em seu podcast de 2 de outubro. Ele admitiu surpresa com a recuperação da ação preferencial Stretch (STRC), que voltou a negociar perto de US$ 99,40 — praticamente o valor de face de US$ 100.
O papel havia desabado para cerca de US$ 75 no início do ano. Na ocasião, o CEO Phong Le atribuiu a queda a uma alavancagem inesperada na estrutura.
Dois fatores explicam a volta do preço, segundo Schiff: as recompras semanais executadas pela própria Strategy e a recuperação do Bitcoin. Ele levantou ainda a hipótese de short covering — fechamento forçado de posições vendidas — ter amplificado o movimento.
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Mas o economista separa recuperação de preço de capacidade de captação. Para ele, o mercado não aceitaria absorver novas emissões do papel.
“Não há jeito de ele conseguir voltar a vender mais Stretch; isso significa que ele não vai conseguir levantar dinheiro para realmente comprar mais Bitcoin”, afirmou, referindo-se a Saylor.
Schiff acrescenta que o caixa acumulado ainda cobre os dividendos do STRC por algum tempo. O problema, na leitura dele, é estrutural: a máquina de emissão parou.

US$ 17,51 bilhões de capacidade STRC seguem intocados desde maio
Os arquivamentos semanais da empresa dão suporte parcial ao argumento. A última venda de STRC pelo programa at-the-market ocorreu entre 11 e 17 de maio, levantando aproximadamente US$ 1,95 bilhão.
Desde então, a capacidade restante do programa permanece congelada em cerca de US$ 17,51 bilhões em todos os relatórios subsequentes. Número parado significa ação não vendida.
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Durante o verão americano, a Strategy interrompeu as compras de Bitcoin por dez semanas. Chegou a vender moedas para bancar dividendos e as próprias recompras de STRC — inversão relevante para uma empresa que construiu sua tese sobre acumulação permanente.
Quando retomou as aquisições, no fim de agosto, trocou o motor. Vendeu ações ordinárias classe A (MSTR) para financiar 4.603 BTC naquela semana e outros 1.665 BTC no fim de setembro. No intervalo, usou US$ 75,7 milhões da conta em dólar para comprar 950 BTC.
Entre 21 e 27 de setembro, US$ 103,5 milhões obtidos com venda de MSTR foram direcionados à recompra de STRC. Na prática, acionista comum financiando o preferencial.
Saylor respondeu por outro ângulo. Em publicação no X, destacou que a volatilidade histórica de 30 dias do STRC chegou a 9% em 2 de outubro — leitura inferior aos 10% do SPDR S&P 500 ETF (SPY).
“Estamos aproveitando o poder do Bitcoin enquanto reduzimos a volatilidade de preço para investidores de renda”, escreveu o executivo. A companhia também informou manter uma reserva em dólar de US$ 5,02 bilhões em 27 de setembro, destinada a dividendos preferenciais e juros de dívida.



