Bitwise diz que debate sobre fundo do Bitcoin é distração

  • Hougan diz que discutir fundo exato do BTC distrai investidor institucional
  • Standard Chartered crava US$ 59 mil, Galaxy e NYDIG discordam do piso
  • MVRV próximo de 1,0x indica zona histórica de fundo, aponta NYDIG

O Bitcoin opera em US$ 66.421 (R$ 335.756), mas três das maiores casas de pesquisa institucional do setor cripto não conseguem chegar a um consenso sobre se o ativo já encontrou o piso do atual ciclo. Para Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, a discussão em si já nasceu errada.

Em memorando enviado a clientes em 15 de junho, Hougan confrontou as posições divergentes de Galaxy Digital, NYDIG e Standard Chartered sobre o fundo do ciclo. A Galaxy afirma que o piso ainda não foi atingido. A NYDIG admite proximidade, mas evita cravar o ponto. Já Geoffrey Kendrick, do Standard Chartered, foi o mais incisivo, o fundo, segundo ele, ficou em torno de US$ 59 mil, uma queda de 53% em relação ao topo de quase US$ 126 mil registrado em outubro de 2025.

Tese estrutural supera debate de preço

Apesar das diferenças sobre timing e nível exato, as três casas convergem em um ponto central, um novo ciclo de alta está a caminho. Hougan classifica o estágio atual como um rounding bottom, formação técnica de fundo arredondado que costuma anteceder retomadas graduais, sem o típico V-shape de capitulação.

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A tese da Bitwise combina ETFs, tesourarias corporativas em Bitcoin e fortalecimento recente dos indicadores on-chain. Segundo Hougan, esses vetores independem do preço atual e favorecem investidores com horizonte entre 12 e 18 meses.

Os dados da NYDIG reforçam a leitura técnica. O MVRV aproxima-se de 1,0x, indicando negociação próxima ao custo médio agregado dos investidores da rede. Historicamente, é nessa zona que fundos de longo prazo se formam. É exatamente por isso que a NYDIG ainda não bate o martelo, o indicador está chegando lá, mas não chegou.

Correção de 53% é mais rasa que ciclos anteriores

O número de Kendrick chama atenção pela aritmética dos ciclos. O ciclo anterior do Bitcoin registrou queda de cerca de 77% do topo ao fundo. Uma correção contida em 53% indicaria que a presença institucional via ETFs e tesourarias corporativas está, de fato, suavizando a volatilidade descendente do ativo.

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O Standard Chartered projeta recuperação até US$ 100 mil, implicando valorização próxima de 70% desde a mínima. A Galaxy Digital prevê novas dificuldades para o mercado, mas evita estabelecer um preço-alvo específico atualmente.

Diamond hands institucional depende dos ETFs

Hougan destaca que investidores institucionais mantiveram o que chama de diamond hands durante as quedas recentes, sustentados pela infraestrutura dos ETFs e pelas compras programáticas de empresas como Strategy. O comportamento contrasta com ciclos anteriores, marcados por capitulação de varejo e ausência de comprador estrutural na ponta inferior.

Para o investidor brasileiro, a leitura tem implicação prática. As corretoras locais Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso sentem em volume cada solavanco do BTC em real. Com o dólar a R$ 5,0671, o BTC em moeda local fica acima de R$ 335 mil mesmo após a correção de 47% do topo, o que ajuda a explicar por que a base de holders brasileiros não migrou para resgate em massa. A própria tese do fundo em US$ 59 mil ganhou tração no mercado local desde a reação após o acordo de paz entre EUA e Irã, quando o ativo voltou rapidamente para a faixa de US$ 66 mil.

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O ponto de inflexão observável, segundo Hougan, é o fluxo dos ETFs. Caso os aportes nos fundos à vista revertam de forma consistente, a tese de ciclo mais raso enfraquece independentemente do que indicam métricas on-chain como MVRV. O memorando completo da Bitwise aponta ainda crescimento de tokenização e stablecoins como vetores que se descolam do preço do BTC e devem sustentar o setor em 2026.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.