Cathie Wood: instabilidade global vai acender próxima alta do Bitcoin

  • Cathie Wood vê saída de capital de países instáveis empurrando Bitcoin
  • ARK Invest comprou US$ 25,54 milhões em Coinbase, Circle, SpaceX e Bullish
  • Fundadora da ARK diz que IA não substitui papel do BTC como seguro

A fundadora da ARK Invest, Cathie Wood, voltou a defender o Bitcoin como ativo de proteção em um cenário de tensão geopolítica e enfraquecimento de moedas locais. Em publicação feita na rede X, ela afirmou que a saída de capital de países politicamente instáveis tende a alimentar o próximo movimento de alta da maior criptomoeda do mercado.

O comentário chega em um momento delicado para o ativo. O BTC opera em US$ 60.240, ou cerca de R$ 311 mil, com alta tímida de 1,2% nas últimas 24 horas após semanas de pressão vendedora. O patamar está distante das máximas do ciclo e contrasta com o discurso otimista da gestora americana.

Gráfico Bitcoin
Fonte: coinmarketcap

Wood defende Bitcoin como apólice de seguro

No texto publicado em sua conta oficial, Wood sustenta que a inteligência artificial domina a atenção dos investidores e drena boa parte da liquidez disponível, mas não cumpre o papel que os ativos digitais ocupam em momentos de incerteza. Para ela, criptomoedas funcionam como uma “apólice de seguro” contra o desgaste de confiança no sistema financeiro tradicional.

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O argumento não é novo entre os apoiadores do BTC, mas ganha peso por vir de uma gestora que administra ETFs com bilhões em ativos. O analista da ARK Lorenzo Valente já havia destacado dias antes que o mercado vem tratando cripto apenas como ativo de risco, ignorando sua função original de proteção patrimonial em ambientes hostis.

ARK injeta US$ 25 milhões em cripto e tech

O discurso veio acompanhado de cheque. A divulgação diária de operações da ARK mostrou compras de aproximadamente US$ 25,54 milhões em ações de Coinbase, SpaceX, Circle, Bullish e Robinhood distribuídas entre seus fundos.

A Coinbase liderou os aportes. A ARK comprou 68.366 ações da exchange por US$ 10,19 milhões via três ETFs. A SpaceX veio em seguida, com 45.728 ações compradas por cerca de US$ 7,01 milhões.

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A emissora de USDC Circle recebeu aporte de US$ 5,79 milhões. Já a exchange institucional Bullish e a corretora Robinhood entraram com volumes menores, de US$ 1,34 milhão e US$ 1,21 milhão, respectivamente. O movimento reforça uma tese de exposição cruzada a infraestrutura de cripto, fintechs e tecnologia.

Por que a tese de Wood ecoa no investidor em real

A fala da gestora carrega leitura sensível para o público brasileiro. O USD/BRL opera em R$ 5,1690, e episódios recentes de aperto regulatório no país tornaram o tema ainda mais quente. O Banco Central elevou o custo de operações com cripto no Brasil, encarecendo o acesso a ativos dolarizados justamente em um período em que a tese de proteção cambial volta ao centro do debate.

O contexto local conversa com a narrativa de Wood. Em mercados emergentes com inflação persistente, controles cambiais ou eleições disputadas, o Bitcoin tem servido como saída líquida e portátil para preservar poder de compra. Argentina, Turquia e Nigéria repetiram esse padrão, impulsionando o uso de stablecoins no varejo brasileiro mesmo com Bitcoin estável.

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Ainda assim, o ceticismo não é pequeno. Analistas como Jeremy Grantham têm projetado cenários opostos, em que tanto a bolha de IA quanto o Bitcoin sofreriam correções profundas. Investidores também acompanham os saques recentes no IBIT da BlackRock, sinal de que o fluxo institucional segue volátil mesmo com posicionamentos públicos otimistas como o de Wood.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.