Tether ultrapassa Ethereum em valor de mercado

  • Tether atingiu US$ 186,06 bilhões em valor de mercado durante a sessão
  • Ethereum recuou para US$ 185,66 bilhões com ETH na faixa de US$ 1.500
  • Cruzamento foi intradiário e ETH recuperou a segunda posição em seguida

A maior stablecoin do mercado cripto encostou no Ethereum em capitalização nesta sexta-feira, dia 26 de junho, e por alguns instantes assumiu o posto de segundo maior ativo digital do mundo. O movimento ocorreu durante uma sessão de forte aversão a risco, com o ETH sendo negociado entre US$ 1.500 e US$ 1.600. A Tether chegou a registrar valor de mercado próximo de US$ 186,06 bilhões, contra US$ 185,66 bilhões do Ethereum no mesmo intervalo. A diferença era estreita, mas suficiente para inverter as posições no ranking.

O cruzamento foi temporário. O Ethereum voltou a ultrapassar a Tether logo depois, recuperando o segundo lugar atrás do Bitcoin. Ainda assim, o episódio chamou atenção porque o ETH ocupa há anos essa colocação de forma praticamente inabalada. Ver uma moeda lastreada em dólar equiparar-se a uma das maiores redes de contratos inteligentes do planeta diz muito sobre o estado atual do apetite por risco.

Como um ativo sem volatilidade alcançou o ETH

Tether usdt

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A explicação técnica é direta. O valor de mercado do Ethereum varia em linha com o preço do token, que é altamente sensível à demanda em sessões voláteis. Já a capitalização da USDT reflete basicamente a oferta circulante de tokens emitidos pela tesouraria da Tether. Ou seja, o número da stablecoin se mantém estável enquanto o do ETH desaba em momentos de pânico.

Nas cotações atuais, o Ethereum é negociado em torno de US$ 1.570, ou aproximadamente R$ 8.128 no câmbio de hoje, com leve alta de 0,6% nas últimas 24 horas. O patamar reflete uma queda brutal em relação aos picos do ciclo anterior. Foi essa compressão de preço que aproximou a valuation do ETH da escala monetária da maior stablecoin do setor — algo impensável em fases de euforia.

Vale lembrar que a Tether já havia superado o Ether em capitalização em episódios anteriores, sempre em momentos de estresse agudo. A repetição do fenômeno reforça uma dinâmica estrutural: quando o ciclo cripto encolhe, a fronteira entre rede programável e instrumento de liquidez fica mais fina.

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Liquidez defensiva sinaliza rotação para dólar

O movimento é lido por traders como um termômetro de aversão a risco. A capitalização das stablecoins costuma funcionar como proxy do dinheiro parado dentro do ecossistema cripto — capital que permanece em rails on-chain ou em exchanges, mas que recua de ativos voláteis. Quando esse estoque cresce em relação ao restante do mercado, é sinal de que investidores estão se defendendo, não atacando.

O contexto macro ajuda a entender o pano de fundo. O PCE de maio nos Estados Unidos veio em 4,1%, recolocando na mesa uma possível alta de juros do Fed. O mercado também digere o tom hawkish da nova composição do Federal Reserve. Nesse cenário, a saída em direção a USDT funciona como uma versão digital da fuga para o dólar — sem necessidade de sair das exchanges.

Brasileiro paga mais caro para se proteger em USDT

Para quem opera a partir do Brasil, a dinâmica tem um detalhe importante. A demanda por USDT como porto seguro pressiona o ágio cobrado em corretoras nacionais, principalmente nos pares com real. Em sessões de pânico, é comum o token ser negociado acima do câmbio oficial em P2P e em exchanges locais. Some-se a isso a recente medida do Banco Central que encareceu a aquisição de cripto no país, e a defesa em stablecoin sai mais cara do que aparenta.

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ETH precisa reagir para evitar novo cruzamento

A pergunta agora é se o Ethereum consegue abrir distância de novo. Uma reação rápida do preço transforma o episódio em curiosidade estatística. Já um período prolongado de fraqueza mantém a discussão sobre dominância das stablecoins no centro do debate. A oferta de USDT segue crescendo conforme novos tokens são emitidos, enquanto a capitalização do ETH depende exclusivamente de fluxo comprador no mercado spot. Sem volume entrando, o cruzamento pode voltar a aparecer.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.