- ETFs spot de Bitcoin somam US$ 1,79 bilhões em saques semanais
- IBIT da BlackRock perde 7.440 BTC em um único pregão
- Strategy reduz compras a 3.600 BTC em junho após 50 mil em abril
Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram a segunda maior saída semanal desde o lançamento, com investidores resgatando US$ 1,79 bilhão em apenas cinco pregões. O movimento coincidiu com o tombo do BTC a US$ 58.126 antes da recuperação parcial, que apagou cerca de US$ 150 bilhões da capitalização total do mercado cripto.
O Bitcoin é negociado a US$ 60.240 (R$ 311.884), com leve alta de 1,6% nas últimas 24 horas. O fôlego, porém, não esconde a deterioração estrutural da demanda institucional que sustentou o ativo durante boa parte de 2025.
IBIT concentra saques da quarta-feira
O dia mais crítico foi 25 de junho, quando os fundos somaram US$ 691,7 milhões em saques líquidos. A pressão vendedora seguiu até o fechamento da semana, com outros US$ 444,5 milhões deixando os produtos. O dado que chamou atenção dos gestores foi a concentração, praticamente todo o saque do dia veio do IBIT, da BlackRock, com cerca de 7.440 BTC saindo do fundo em apenas 24 horas.
O patrimônio agregado dos ETFs spot de Bitcoin caiu de aproximadamente US$ 170 bilhões no pico de 2025 para perto de US$ 73 bilhões agora. Só no último mês, as carteiras dos fundos encolheram em mais de 63 mil BTC. A reversão do fluxo é o pano de fundo da nova fase de resgates em série no IBIT.
Prejuízo de US$ 22 bilhões em posições abertas
O preço médio de compra dos ETFs spot está estimado em US$ 82.899. Com o Bitcoin abaixo de US$ 61 mil, o conjunto de produtos carrega cerca de US$ 22,42 bilhões em prejuízo não realizado. O número expõe o desafio dos alocadores institucionais que entraram via Wall Street nos últimos doze meses.
A Strategy, de Michael Saylor, vive situação semelhante. A maior detentora corporativa de BTC do mundo tem preço médio próximo de US$ 75.640 e acumula cerca de US$ 19,84 bilhões em perdas potenciais. O ritmo de aquisição mostra como a empresa interpretou o cenário, foram mais de 50 mil BTC comprados em abril, cerca de 25 mil em maio e apenas 3.600 até este momento de junho. A desaceleração de uma compradora estrutural reduz um dos principais pisos de demanda que o mercado tinha desde 2024.
Prêmio Coinbase segue negativo e on-chain piora
O Coinbase Premium Index, termômetro do apetite de compradores norte-americanos via Coinbase Pro, permanece em território negativo. Dados on-chain reforçam o quadro, o capital líquido continua deixando a rede em vez de entrar, padrão típico de fases distributivas. Para o investidor brasileiro, esse cenário tem leitura prática, o BTC em real opera abaixo da máxima histórica de R$ 600 mil registrada em janeiro, e a recente elevação do IOF sobre câmbio encarece a entrada em exchanges internacionais, ampliando o custo de aproveitar correções como esta.
Ethereum soma sete semanas seguidas no vermelho
A pressão não se limita ao Bitcoin. Os ETFs spot de Ethereum perderam mais US$ 273,34 milhões na semana, encadeando a sétima semana consecutiva de fluxo líquido negativo. O pior dia também foi 25 de junho, com saída de quase US$ 82 milhões. O ETH chegou a tocar US$ 1.510, evaporando cerca de US$ 31 bilhões em valor de mercado, e agora se recupera para US$ 1.581. Saylor mantém comunicação pública sobre as compras pela página institucional da Strategy, mas o ritmo enxuto de junho contrasta com o discurso agressivo da empresa nos trimestres anteriores. Enquanto o indicador de demanda da Glassnode não virar, o tabuleiro segue desfavorável a quem opera comprado com alavancagem.
