- ETFs de Ethereum captaram US$ 216 milhões em 11 de setembro, segundo a SoSoValue
- Fundos de Bitcoin somam quarto pregão seguido de resgates, com US$ 13,29 milhões
- ETFs de XRP giraram US$ 36 milhões sem emitir ou resgatar uma única cota
Os ETFs à vista de Ethereum negociados nos Estados Unidos receberam US$ 216 milhões em fluxo líquido na sexta-feira, 11 de setembro, de acordo com dados da SoSoValue. No mesmo pregão, os fundos de Bitcoin registraram saída líquida de US$ 13,29 milhões — o quarto dia consecutivo no vermelho.
Três categorias, três direções opostas. E cada uma delas inverteu o comportamento da semana anterior.
Fluxo líquido não se confunde com volume. Ele mede apenas o saldo entre criações e resgates de cotas feitas por participantes autorizados, que entregam caixa ou o ativo ao fundo e recebem cotas novas. Negócio entre dois investidores no mercado secundário não altera esse número.
ETH sai de saque de US$ 24 milhões para captação na semana
A entrada de sexta-feira veio depois de um resgate de US$ 24 milhões registrado em 9 de setembro. Em menos de uma semana, a categoria passou de devolução de dinheiro para compra nova.
O movimento acompanhou o ativo à vista. O Ethereum subiu cerca de 3% no dia e hoje é negociado a US$ 2.520,45, equivalente a R$ 12.881,52 pela cotação do dólar a R$ 5,1108. Demanda spot e demanda via ETF andaram juntas, algo que não ocorria desde o início do mês.
Ainda assim, o contexto de 12 meses limita entusiasmo. O ETH acumula queda próxima de 47% no período. Uma sessão de captação forte não reverte uma tendência anual — precisaria se repetir por pelo menos mais dois pregões do mesmo tamanho.
Bitcoin vai de US$ 986,9 milhões captados a quatro pregões negativos
Na semana encerrada em 4 de setembro, os ETFs de Bitcoin captaram US$ 986,9 milhões. Depois vieram quatro dias seguidos de resgates. A virada chama atenção porque os participantes autorizados que operam esses fundos são praticamente os mesmos de uma semana para outra — não é troca de público, é mudança de postura do mesmo grupo.
A categoria segue cerca de US$ 1 bilhão abaixo do ponto de equilíbrio em 2026. O Bitcoin é cotado a US$ 77.206, ou R$ 394.584,42, com recuo de aproximadamente 11,7% desde 1º de janeiro e queda superior a 33% em 12 meses. O dinheiro voltou quando o preço se recuperou em agosto e recuou assim que o repique perdeu força na primeira semana de setembro.
Esse padrão já foi visto em outros momentos do ano, como no episódio em que os ETFs perderam US$ 462 milhões em quatro pregões. A leitura prática é que o capital institucional americano está operando tendência de curto prazo, não acumulando posição estrutural. Para o investidor brasileiro, isso ajuda a explicar por que o BTC em reais oscila com defasagem em relação ao noticiário local: o gatilho está no fluxo de Nova York, não na B3 nem nas corretoras daqui.
XRP gira US$ 36 milhões e não emite nenhuma cota
Os ETFs à vista de XRP fecharam a sexta com fluxo líquido de exatos US$ 0,00, mesmo com US$ 36 milhões negociados no dia. Um zero absoluto significa que criações e resgates se anularam ao centavo — o que é raro — ou que simplesmente nenhum dos dois ocorreu.
Todo o giro aconteceu no secundário. Cotas mudaram de conta em corretora sem que o fundo comprasse ou vendesse um único token. As entradas acumuladas somam US$ 1,70 bilhão, contra patrimônio líquido de US$ 1,45 bilhão: o que está guardado vale menos do que entrou, reflexo da queda de 26,19% do XRP no ano. O ativo é negociado a US$ 1,36, ou R$ 6,95.
O sintoma aponta para infraestrutura imatura, não para demanda fraca. São os fundos mais recentes das três categorias, e os formadores de mercado ainda não construíram o fluxo de mão dupla que o Bitcoin vê todo pregão. Enquanto isso, o XRP Ledger segue atraindo protocolos no lado operacional.
O que observar agora: um quinto dia negativo confirma a reversão nos fundos de Bitcoin; retorno às criações líquidas a encerra. Nos de XRP, qualquer fluxo positivo, por menor que seja, já provaria que a categoria consegue absorver dinheiro novo em vez de apenas reciclar cotas existentes.

