- Satsuma captou £168,9 milhões em notas conversíveis no auge do boom de tesourarias
- Empresa vendeu 669 BTC a preço 43% inferior ao custo médio de aquisição
- Acionistas aprovaram liquidação com mais de 90% dos votos em julho
A britânica Satsuma Technology virou o caso mais explícito do que acontece quando uma empresa de capital aberto aposta a existência inteira numa tesouraria de Bitcoin comprada no topo. A ação derreteu 99% desde o pico de 2025. A tesouraria não existe mais.
Foram 669,49 BTC vendidos entre 24 e 31 de julho, gerando £31,9 milhões (US$ 43 milhões). Preço médio de saída: £47.667 por moeda. O custo médio de aquisição declarado pela própria empresa era £84.026 — cerca de US$ 113 mil por unidade.
Diferença de 43% contra o acionista. E a companhia já suspendeu a negociação de seus papéis.
Constituída em março de 2021 como Streaks Gaming, a firma migrou para inteligência artificial sob o nome StreaksAI, depois tentou cripto como Tao Alpha e finalmente adotou a marca Satsuma — referência aos satoshis, a menor fração do BTC.
O modelo copiava a Strategy, de Michael Saylor, que estimulou publicamente a onda ao afirmar que havia “espaço para 400 milhões de empresas comprarem BTC”. Em julho de 2025, a Satsuma fechou uma rodada de notas conversíveis de £163,6 milhões (US$ 220 milhões), com a ParaFi Capital como investidora líder.
Pantera Capital, Digital Currency Group e Kraken também entraram. Parte dos investidores pagou em cripto: a empresa aceitou 1.097 Bitcoin no lugar de £96,9 milhões em dinheiro. Em 24 de junho de 2025, valia mais de £120 milhões.
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Mark Moss diz que investidores não recebem BTC de volta
Quem entregou Bitcoin não vai receber Bitcoin. O chief Bitcoin strategist da companhia, Mark Moss, admitiu em entrevista que a legislação britânica obriga a devolução em moeda fiduciária: “Não podemos devolver o BTC aos investidores. Temos que dar a eles o valor em dólar do bitcoin no momento em que aceitaram.”
Traduzindo: quem aportou moedas quando o BTC valia bem mais recebe o equivalente daquele valor contábil em libras, sem participação na recuperação do ativo. Moss foi contratado para levantar capital não diluidor e gerar rendimento sobre a tesouraria. Ao assumir, escreveu que a Satsuma entrava no mercado britânico com “balanços lastreados em colateral imaculado”. Ele também divulgou a ação para seus seguidores.
A primeira fratura veio em dezembro, com a venda de 579 das 1.199 moedas por cerca de £40 milhões para honrar £78 milhões em notas vencendo no fim do mês. Depois disso, a diretoria se esvaziou: o CFO Andrew Smith saiu em 18 de fevereiro, após acionistas convocarem assembleia sobre seu desempenho, e o CEO Henry Elder pediu demissão em 6 de março, com sete meses de casa.
Em abril, a Pantera — detentora de 6,7% do capital via DAT Opportunity Fund — passou a pressionar pela liquidação total. O valor de mercado da empresa já estava abaixo do valor das próprias moedas em caixa, situação que transforma a estrutura corporativa em destruidora de valor.
Quatro dos seis conselheiros quiseram manter a estratégia. Em julho, o board recomendou formalmente voto contra a devolução de capital e a saída de bolsa. Os acionistas aprovaram a liquidação com mais de 90% dos votos em 20 de julho de 2026.
Agora a companhia está sob procedimento na High Court of Justice para desembolsar £30,7 milhões (US$ 41,4 milhões) até o fim de setembro, e nesta segunda tentou postergar seu próprio delisting enquanto busca outro ambiente de negociação.

