- KULR vendeu 764 BTC entre 20 de agosto e 11 de setembro por US$ 58,6 milhões
- Preço médio ponderado das vendas ficou em US$ 76.633 por Bitcoin
- Empresa já havia encerrado mineração e quitado dívida com a Coinbase
A KULR Technology Group vendeu todos os bitcoins que ainda mantinha em sua tesouraria, encerrando uma estratégia que havia transformado a criptomoeda em uma das principais apostas financeiras da companhia. A empresa de tecnologia de baterias negociou aproximadamente 764 BTC por US$ 58,6 milhões brutos, ficando sem reservas do ativo.
As vendas ocorreram entre 20 de agosto e 11 de setembro de 2026, por um preço médio ponderado de aproximadamente US$ 76.633 por Bitcoin. Segundo o documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, as operações foram realizadas no mercado aberto, com compradores não relacionados à companhia.
A liquidação conclui uma retirada que já incluía o encerramento da mineração e a quitação de uma linha de crédito com a Coinbase. A prioridade da administração passou a ser reduzir a volatilidade do balanço e concentrar recursos no negócio de energia.
O comunicado da venda não informa o custo de aquisição dos últimos bitcoins negociados nem o lucro ou prejuízo realizado nessa etapa. Também não detalha a destinação dos US$ 58,6 milhões levantados.

De comprar Bitcoin com até 90% do caixa excedente a zerar a reserva
A saída representa uma mudança profunda em relação ao plano anunciado pela KULR em dezembro de 2024. Naquele momento, a empresa informou que poderia destinar até 90% de seu caixa excedente à aquisição de Bitcoin.
A primeira compra divulgada foi de 217,18 BTC por aproximadamente US$ 21 milhões, a um preço médio de US$ 96.556,53 por unidade. A companhia apresentou a operação como o início de uma sequência de aquisições e escolheu a Coinbase Prime para prestar serviços relacionados à custódia. Os detalhes constam no anúncio original da KULR.
O compromisso com a estratégia ganhou outra dimensão em julho de 2025, quando a empresa anunciou uma linha de crédito de US$ 20 milhões com a Coinbase Credit. A finalidade declarada era financiar a acumulação de mais bitcoins.
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Parte das próprias reservas serviria como garantia dos empréstimos. Assim, a companhia passou a combinar exposição ao preço do BTC com uma obrigação financeira associada à estratégia. O acordo foi divulgado em comunicado aos investidores.
Em 2026, o movimento se inverteu. Conforme a apuração a KULR vendeu anteriormente cerca de 333 BTC por US$ 21,5 milhões, utilizando aproximadamente US$ 20 milhões para quitar o principal devido à Coinbase.
Somadas à liquidação final, essas duas etapas representam aproximadamente 1.097 BTC vendidos e US$ 80,1 milhões em recursos brutos. Os valores, porém, não correspondem ao lucro das operações: para calcular o resultado seria necessário considerar os custos de aquisição e as despesas envolvidas.
Prejuízo de US$ 22 milhões expôs o peso da volatilidade
A mudança de direção ocorreu em meio à deterioração dos resultados financeiros. No segundo trimestre de 2026, a KULR registrou prejuízo líquido de US$ 21,97 milhões, ante lucro de US$ 8,14 milhões no mesmo período do ano anterior.
O balanço incluiu uma perda de aproximadamente US$ 10,59 milhões com a variação do valor justo das reservas de Bitcoin. Trata-se de um efeito contábil, que não deve ser confundido com o resultado realizado na venda dos últimos 764 BTC.
A operação principal também enfrentou dificuldades. A receita trimestral caiu 43%, para US$ 2,08 milhões, enquanto o prejuízo operacional chegou a US$ 11,20 milhões. Portanto, o desempenho negativo não se limitou às oscilações da criptomoeda. Os números foram divulgados pela própria KULR em agosto.
Na apresentação dos resultados, o diretor financeiro Mike Kimel reconheceu que a tesouraria em Bitcoin havia proporcionado flexibilidade financeira, mas afirmou que sua volatilidade dificultava a avaliação do negócio de baterias pelos acionistas.
O executivo informou que, após o encerramento do trimestre, a empresa havia abandonado a mineração, quitado o empréstimo da Coinbase e iniciado uma redução deliberada das reservas. Segundo ele, as medidas buscavam melhorar a visibilidade financeira e concentrar capital na expansão da atividade principal.
Sem BTC, KULR volta suas atenções às baterias e à energia
A empresa agora procura reforçar sua atuação em sistemas de baterias e armazenamento de energia. Em sua apresentação institucional, a KULR destaca aplicações em defesa, setor aeroespacial, drones, robótica e infraestrutura de inteligência artificial. Esses mercados integram o posicionamento atual da companhia.
A venda da reserva troca um ativo sujeito às oscilações do mercado cripto por liquidez que poderá atender às prioridades corporativas. A forma como esse dinheiro será utilizado, entretanto, ainda não foi especificada no documento da operação.

