- Republicanos recusam contraproposta democrata horas antes de votação procedimental no Senado
- Bitcoin cai 4,1% e opera em US$ 75.865, ou R$ 390,7 mil
- ETFs à vista captaram US$ 160 milhões após quatro sessões de saques
A negociação do CLARITY Act travou de vez no Senado americano. Negociadores republicanos rejeitaram a contraproposta enviada pelos democratas poucas horas antes da votação procedimental, segundo relatos de bastidores em Washington.
O mercado reagiu na hora. O Bitcoin recua 4,1% nas últimas 24 horas e é negociado a US$ 75.865 — cerca de R$ 390.795 pelo câmbio de R$ 5,15. O Ethereum cai 5,5%, para US$ 2.403, e o XRP lidera as perdas entre os grandes, com tombo de 11,2%, a US$ 1,30.
Republicanos chamam texto de final e democratas insistem
Os republicanos já haviam classificado a versão mais recente do projeto como definitiva. Ainda assim, a bancada democrata enviou um novo pacote de emendas.
As mudanças pedidas tratam de quatro frentes: conflitos de interesse de autoridades com participações em cripto, preservação de competências estaduais, controles contra financiamento ilícito e regras para programas de recompensa em stablecoins. Nenhuma foi aceita.
A votação desta terça não aprova a lei. Trata-se de moção de cloture, que apenas autoriza o início do debate formal — e exige 60 votos. Como os republicanos não têm essa margem sozinhos, qualquer avanço depende de apoio democrata. A rejeição da contraproposta praticamente sepulta essa possibilidade no calendário atual.
Aqui entra uma leitura que o mercado brasileiro costuma subestimar. O CLARITY Act define quais ativos digitais ficam sob a SEC e quais migram para a CFTC. Essa divisão não é detalhe técnico: ela determina se tokens negociados por brasileiros em exchanges globais serão tratados como valores mobiliários nos EUA. Quando a peça regulatória americana emperra, os emissores adiam lançamentos, e o efeito chega às plataformas locais na forma de menos produtos listados. O impasse na votação já vinha sendo precificado desde a semana passada.
Fed decide juros com alta de 0,25 ponto no radar
O segundo vetor de pressão vem da política monetária. O Federal Reserve encerra sua reunião de dois dias nesta quarta, com anúncio às 15h (horário de Brasília).
A expectativa majoritária é de alta de 0,25 ponto percentual, levando a faixa-alvo para 3,75% a 4,00%. Juro maior significa dólar mais forte, custo de funding elevado e aperto sobre ativos de risco. Bitcoin está nessa cesta.
O que pesa mais, porém, não é a decisão em si. É o forward guidance. O Morgan Stanley projeta nova elevação em dezembro, e o tom do presidente Kevin Warsh na coletiva vale mais que os 25 pontos-base já embutidos nos preços. Uma sinalização menos dura abriria espaço para recuperação técnica. O contrário empurra o BTC para os suportes inferiores.
Para o investidor brasileiro há uma camada extra. Com o dólar em R$ 5,15, parte da queda em dólar é amortecida na conversão para real — mas não elimina a perda. Quem comprou BTC acima de R$ 420 mil, patamar que o Itaú apontou como resistência em setembro, segue no vermelho.
ETFs à vista captam US$ 160 milhões e quebram sequência negativa
Nem tudo aponta para baixo. Os ETFs de Bitcoin à vista registraram entrada líquida de US$ 160,04 milhões em 14 de setembro, encerrando quatro pregões consecutivos de resgates.
O IBIT, da BlackRock, puxou o movimento com US$ 134,35 milhões. O FBTC, da Fidelity, somou US$ 53,33 milhões. Na ponta oposta, ARKB e produtos da 21Shares perderam US$ 41,95 milhões combinados.
O volume negociado no dia chegou a US$ 2,69 bilhões, com patrimônio líquido agregado de US$ 100,09 bilhões, conforme dados da SoSoValue. O acumulado histórico de captação subiu para US$ 55,31 bilhões. Só o IBIT administra US$ 62,22 bilhões, com giro de 36,72 milhões de cotas na sessão.
Esse giro elevado antes de dois eventos binários — voto no Senado e decisão do Fed — indica reposicionamento institucional, não fuga. Vale lembrar que a BlackRock comprou US$ 1,08 bilhão em BTC nos 20 dias anteriores.
No gráfico, o suporte imediato está em US$ 75.600, mínima da terça. Perda desse nível expõe US$ 74.000 e, na sequência, a faixa de US$ 72.000. A resistência aparece em US$ 77.000, com venda mais pesada prevista entre US$ 79.500 e a barreira psicológica de US$ 80.000.

