Reserva de Bitcoin dos EUA foi cancelada?

  • Disputa entre Tesouro e Comércio dos EUA congela reserva com 328.372 BTC
  • Bloqueio afeta plano de compras via revaluação de certificados de ouro do Fed
  • Projeto ARMA propõe travar 1 milhão de BTC por 20 anos no governo americano

A Reserva Estratégica de Bitcoin criada por decreto de Donald Trump não foi cancelada, mas está paralisada. Uma disputa de jurisdição entre o Departamento do Tesouro e o Departamento de Comércio dos EUA travou a implementação do programa, deixando 328.372 BTC — cerca de US$ 25 bilhões — em limbo administrativo enquanto Washington decide qual agência controla o cofre.

O impasse envolve o Office of Legal Counsel do Departamento de Justiça, agora chamado para arbitrar. De um lado, o Comércio e parlamentares pró-Bitcoin defendem metas agressivas de acumulação. Do outro, o Tesouro freia compras em mercado aberto e mecanismos criativos de financiamento — como revaluar certificados de ouro do Federal Reserve para bancar aquisições.

O que a ordem executiva de março de 2025 determinou

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Assinado em 6 de março de 2025, o decreto de Trump criou formalmente a Reserva Estratégica de Bitcoin e o Digital Asset Stockpile paralelo. O texto foi explícito em um ponto: nenhum BTC confiscado seria vendido em leilões de rotina do US Marshals Service, revertendo a prática anterior. As moedas passam a ser ativos de reserva de longo prazo.

Assim, a ordem deu ao Tesouro 60 dias para entregar uma avaliação legal e recomendar legislação ao Congresso. O prazo venceu há tempos sem qualquer relatório público. Em 6 de maio de 2026, no Consensus Miami, o assessor da Casa Branca Patrick Witt prometeu um anúncio detalhado “nas próximas semanas”. Dois meses depois, nada saiu do papel.

Jerome Powell, presidente do Fed, já descartou publicamente que a autoridade monetária vá acumular Bitcoin em seu balanço. Isso concentra a custódia obrigatoriamente no Tesouro — justamente a agência que resiste aos cenários mais ambiciosos. O gargalo é institucional, não político.

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Projeto ARMA quer travar 1 milhão de BTC por 20 anos

Assim, dois projetos correm em paralelo no Congresso para resolver o impasse por lei. O H.R. 2112 daria força de estatuto ao decreto atual. Já o American Reserve Modernization Act (ARMA), reapresentado em 21 de maio de 2026 pelos deputados Nick Begich e Jared Golden, é bem mais agressivo.

O ARMA travaria todo o Bitcoin federal por 20 anos, autorizaria compras de até 200 mil BTC por ano durante cinco anos, com teto de 1 milhão de BTC, e obrigaria o Tesouro a construir instalação segura de custódia em 180 dias. A senadora Cynthia Lummis propõe financiar as aquisições revaluando certificados de ouro do Fed e redirecionando cerca de US$ 6 bilhões em remessas do banco central entre 2025 e 2029 — plano que o Tesouro não endossou.

Além disso, vale registrar o paralelo brasileiro. Enquanto os EUA discutem acumular soberanamente, o Banco Central e a CVM ainda tratam o Bitcoin como ativo regulado sob o Marco Legal (Lei 14.478/2022), sem qualquer sinalização de reserva soberana.

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Assim, uma decisão americana de comprar 200 mil BTC ao ano pressionaria a política brasileira de reservas cambiais e forçaria debate no Congresso Nacional — cenário que hoje sequer está na pauta. O Brasil segue como consumidor de ETFs, não como acumulador estatal.

Governo americano já detém mais de 1% do supply circulante

Além disso, os EUA detêm entre 198 mil e 328.372 BTC, todos obtidos via confisco criminal e civil. É algo entre 1% e 1,56% do supply em circulação — posição comparável às maiores tesourarias corporativas do mundo. Para efeito de comparação, é mais do que a Strategy soma em seus cofres.

Na prática, traders devem ajustar expectativas. Não haverá parede constante de compras governamentais no curto prazo. Se o ARMA passar, até 1 milhão de BTC saem do mercado por duas décadas — cenário que projeções de bull market ainda tratam como hipótese. Até lá, o Bitcoin, negociado a US$ 63.491 (R$ 328.883) nesta terça, opera sem esse catalisador estrutural.

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Lummis e Begich tentam forçar votação antes do recesso

Assim, acadêmicos publicados no The Conversation alertam que uma reserva americana em escala plena pode disparar uma “corrida armamentista cripto” entre Estados soberanos — dinâmica já visível nas negociações de El Salvador com o FMI. O texto original está disponível no portal oficial da Casa Branca. A saída do impasse depende de Congresso dividido encontrar terreno comum antes do recesso legislativo.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.