- Strive comprou 759 BTC entre 15 e 21 de junho por US$ 50 milhões
- Tesouraria da empresa chega a 19.864 BTC, avaliados em US$ 1,27 bilhão
- Aquisição semanal superou os 520 BTC adicionados pela Strategy no mesmo período
A Strive, Inc. (Nasdaq: ASST) voltou a pisar fundo no acelerador de sua tesouraria de bitcoin. Em comunicado enviado à SEC nesta segunda-feira (22), a companhia sediada em Dallas informou a compra de 759 BTC entre 15 e 21 de junho, por preço médio de aproximadamente US$ 65.850 por unidade, incluindo taxas. O desembolso total beira os US$ 50 milhões e representa a maior aquisição semanal da empresa em meses.
Com a nova compra, o estoque corporativo sobe para 19.864 BTC. Aos preços atuais, perto de US$ 64.924, a posição vale cerca de US$ 1,27 bilhão. O custo médio de aquisição do conjunto, no entanto, segue ligeiramente acima da cotação de mercado — uma marcha-a-ré comum entre tesourarias que aceleraram compras em janelas de preço mais elevado.
O movimento desta semana é uma virada de chave em relação ao ritmo das duas semanas anteriores. A Strive havia adicionado apenas 32 e depois 73 BTC, somando US$ 6,8 milhões. O salto para 759 moedas recupera o padrão agressivo visto no início do segundo trimestre, quando a companhia chegou a desembolsar US$ 185 milhões em uma única semana para arrematar cerca de 2.500 BTC.
Strive supera Strategy em acumulação semanal
O dado mais simbólico do filing é a comparação direta com a líder do setor. A Strategy, comandada por Michael Saylor, adicionou apenas 520 BTC no mesmo intervalo. É raro ver uma tesouraria menor superar o maior detentor corporativo de Bitcoin do mundo — que mantém 847.363 BTC — em volume semanal de compra. O detalhe foi destacado pelo próprio formulário 8-K enviado pela Strive ao regulador americano, disponível no portal da SEC.
A leitura faz sentido dentro do contexto recente. A compra modesta da Strategy veio acompanhada de um ajuste na sua estrutura de capital, com o preferencial STRC caindo abaixo do par. Coincidentemente, a posição da Strive em STRC permaneceu estável em 505.000 ações, com valor justo levemente menor, em US$ 44,7 milhões.
SATA financia acumulação de Bitcoin
O motor financeiro por trás do apetite da Strive é o programa SATA, uma classe de preferenciais perpétuos com dividendo atrelado a bitcoin. A taxa atual é de 13% APR em base diária, formato pensado para atrair capital de renda fixa e canalizá-lo direto para o caixa em BTC via emissões at-the-market.
O caixa em dólares acompanhou. As reservas em equivalentes de caixa subiram de US$ 141,4 milhões para US$ 144,5 milhões, enquanto o total de ações classe A em circulação cresceu cerca de 1,9 milhão, atingindo 71,8 milhões. O modelo replica elementos da arquitetura da Strategy, mas a Strive posiciona o bitcoin não apenas como reserva, e sim como benchmark para toda decisão de alocação.
A companhia entrou no setor de tesouraria pública via fusão com a Semler Scientific (SMLR), fechada em janeiro de 2026, que entregou 5.048 BTC de largada. Em maio, o estoque ultrapassou 15 mil BTC. A meta declarada é mobilizar até US$ 4,2 bilhões em capital para acumulação ao longo de 2026.
ASST entra no radar de tesourarias replicáveis no Brasil
Para o investidor brasileiro com acesso a BDRs e corretoras com janela para o mercado americano, a Strive entra na lista de proxies acionários para exposição a bitcoin — ao lado de MSTR, MARA e CleanSpark. A diferença é que ASST opera com base de comparação menor, o que amplia a sensibilidade da ação ao preço do BTC, em ambas as direções.
Em reais, os 19.864 BTC da Strive equivalem a aproximadamente R$ 6,64 bilhões na cotação de hoje. O ritmo de compras coloca a empresa entre os dez maiores detentores corporativos do mundo. Outras tesourarias seguem trajetória parecida, como mostra o crescimento da Strategy acima dos 846 mil BTC e a redução de reservas da Bitdeer para financiar capex em IA — duas pontas opostas de uma mesma corrida por escala.