- Gratus Reserve V protocola oferta de US$ 75 milhões na SEC via Regulation A
- Cesta reúne XRP, XLM, ADA, HBAR, QNT, BTC, ETH e SOL
- Fundo argumenta que OTC institucional em XRP custa 10x menos que o varejo
Um novo veículo de tesouraria corporativa nos Estados Unidos quer usar o XRP como vitrine para atrair investidores de varejo a uma estratégia normalmente restrita a mesas institucionais. A Gratus Reserve V, LLC protocolou um Form 1-A preliminar junto à Securities and Exchange Commission pedindo autorização para captar até US$ 75 milhões em uma carteira diversificada de criptoativos.
O documento chama a atenção por um detalhe pouco comum entre fundos cripto americanos: o pedido usa o formato Regulation A, Tier 2. Esse enquadramento, raro no setor, funciona como uma brecha regulatória que permite oferecer cotas do fundo diretamente ao investidor comum, e não apenas a qualificados ou credenciados, desde que a companhia cumpra exigências rígidas de transparência e auditoria.
Para justificar sua tese econômica, a Gratus Reserve V apresentou uma simulação usando o próprio XRP. Segundo o prospecto, comprar US$ 5 mil em XRP em uma mesa OTC institucional sai cerca de dez vezes mais barato do que a mesma operação executada por um investidor de varejo em corretoras tradicionais.
A diferença viria do acesso direto a pools de liquidez, sem os spreads embutidos das plataformas de varejo, sem taxas de corretagem infladas e sem o slippage típico de ordens de mercado em livros menos profundos. Ao empacotar essa execução em um fundo regulado, a Gratus promete repassar parte dessa economia ao cotista pessoa física.
A tese chega em um momento em que o XRP é negociado a US$ 1,42 (cerca de R$ 7,26), com alta de 1,6% nas últimas 24 horas, e no qual as reservas de XRP na Binance encolheram meio bilhão de tokens em menos de um ano — sinal de acumulação de longo prazo por endereços grandes.

Cesta mistura ISO 20022, XRP e blue chips
A carteira proposta vai além do XRP. O prospecto prevê exposição a ativos alinhados ao padrão internacional ISO 20022 de mensageria interbancária, categoria que inclui Stellar (XLM), Cardano (ADA), Hedera (HBAR) e Quant (QNT).
Para dar lastro de infraestrutura à cesta, a Gratus pretende adicionar os três maiores ativos por capitalização de mercado: Bitcoin, Ethereum e Solana. A combinação é uma leitura editorial clara — o fundo quer surfar tanto a narrativa de compatibilidade com trilhos bancários quanto a de camada base de liquidez cripto.
O movimento reflete uma mudança silenciosa nas Digital Asset Treasury Holdings. Se em 2024 e 2025 a corrida corporativa girava quase exclusivamente em torno do Bitcoin — com Strategy à frente do movimento —, em setembro de 2026 o foco começou a migrar para redes L1 de alta capacidade e protocolos vistos como pontes com o sistema bancário tradicional.
O pedido ainda depende de análise da SEC e não autoriza, por ora, nenhuma captação. O que torna o filing relevante é o formato escolhido. A Regulation A, Tier 2, se aprovada, permite oferta pública ampla, com teto anual de US$ 75 milhões e sem os limites de investidor qualificado da Regulation D.
Em troca, a companhia terá de publicar demonstrações financeiras auditadas com regularidade, colocando cada compra de altcoin sob escrutínio direto do regulador. Na prática, é uma tentativa de dar ao investidor comum norte-americano exposição a uma cesta cripto multi-ativo dentro de um invólucro que a SEC consegue supervisionar linha por linha.

