Ministério Público do Rio de Janeiro prende irmãos que lavaram R$ 1 milhão em USDT

mprj-prende-irmaos-que-lavaram-r-1-milhao-em-usdt
  • MPRJ identificou compra de mais de R$ 1 milhão em criptoativos
  • Irmãos vendiam celulares abaixo do mercado e não entregavam produtos
  • Justiça decretou prisões e sequestro de criptoativos dos acusados

Mais de R$ 1 milhão em criptoativos comprados enquanto os golpes aconteciam. Foi esse o rastro que levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a denunciar dois irmãos por lavagem de dinheiro, com uso de USDT para esconder o dinheiro de consumidores lesados na venda de eletrônicos.

A denúncia partiu do CyberGAECO/MPRJ, núcleo especializado em crimes cibernéticos ligado ao grupo de combate ao crime organizado. Os acusados são Luiz Guilherme Silva Gonçalves e Luiz Henrique Silva Gonçalves, responsáveis pela loja Elgui Store.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Um deles já estava preso em Foz do Iguaçu, no Paraná. O outro segue foragido.

A 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa recebeu a denúncia, decretou as prisões e foi além: determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos dos dois. O MPRJ também pediu indenização mínima de R$ 1,08 milhão às vítimas.

O esquema, segundo a investigação, era simples e antigo. Celulares anunciados a preços bem abaixo do praticado no mercado, pagamento recebido, produto nunca entregue. Centenas de aparelhos teriam sido vendidos assim, na região de Volta Redonda e Barra Mansa.

Os irmãos já acumulavam denúncias anteriores por estelionato. Havia ainda uma ação civil pública movida pelo próprio Ministério Público em razão dos prejuízos causados aos consumidores. A peça nova muda o eixo: não trata do golpe em si, mas do que foi feito com o dinheiro depois.

Sede do Ministério publico do RJ
Sede do Ministério Público do Rio de Janeiro – Imagem: Wikipedia

Software de rastreio apontou exchange que não coopera com o Brasil

Promotores usaram softwares especializados de rastreamento on-chain para reconstruir o caminho dos recursos. Identificaram tanto o período das aquisições quanto a plataforma que recebeu os valores.

Uma empresa intermediou a compra de cerca de US$ 200 mil em criptomoedas pelos acusados — todo o volume em USDT, a stablecoin da Tether pareada ao dólar. Na cotação atual, com o dólar a R$ 5,1566, o montante equivale a aproximadamente R$ 1,03 milhão.

Dois elementos pesaram na tese de lavagem. O primeiro: a conversão em cripto acontecia no mesmo intervalo em que os golpes eram aplicados. O segundo: a exchange escolhida não colabora com autoridades brasileiras. Para o CyberGAECO, a combinação evidencia intenção de blindagem patrimonial, não investimento.

O caso se encaixa num movimento mais amplo. Órgãos de persecução penal no Brasil deixaram de tratar cripto como caixa-preta e passaram a estruturar capacidade técnica própria. A formação de investigadores em análise de blockchain já é rotina institucional.

No campo civil, o Judiciário caminha na mesma direção com decisões sobre acesso a chaves privadas. O mapeamento estatístico do setor também avança.

Para o investidor legítimo, a mensagem é dupla. A fiscalização sobre fluxos suspeitos ficou mais competente — e plataformas que operam fora do alcance das autoridades brasileiras tendem a atrair atenção regulatória crescente. A escolha da exchange virou variável de risco. Detalhes do caso constam no comunicado do MPRJ.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Compartilhe este artigo
Follow:
Jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica. Gostou das reportagens? Colabore conosco [email protected] USDT Tron -TNg8DgRzTTPakv2bNmJggSg5f4trzWXEaQ BTC - 12DiB81HwtS99m2u3SaWoGoCL3ntsziJrV ETH e tokens ETH - 0x559cc479f45fd82910f30576db0d67051c790abf