- Grayscale aponta CLARITY Act parado como risco direto ao preço do Bitcoin
- Galaxy Research reduz para 50% a chance de aprovação em 2026
- Strategy e tesourarias de BTC podem desalavancar se Senado adiar votação
A Grayscale Research colocou a paralisia do CLARITY Act no centro do próximo movimento do Bitcoin. Em relatório divulgado em 26 de junho, a gestora afirmou que o destino da legislação cripto no Senado dos Estados Unidos passou a funcionar como gatilho de curto prazo para o sentimento do mercado e, em cenário negativo, pode acelerar liquidações em empresas que carregam BTC no balanço.
O alerta chega em um momento delicado para a tese institucional. O Bitcoin é negociado a US$ 60.062 (cerca de R$ 310,9 mil), próximo a níveis que já provocaram fluxos negativos em ETFs e pressão sobre tesourarias corporativas. O contexto monetário piora a equação, o mercado deixou de precificar cortes e passou a esperar alta de juros pelo Fed ainda neste ano, após a nomeação de Kevin Warsh, visto como mais duro com a inflação.
Galaxy corta chance de aprovação para 50%
A Galaxy Research reduziu para 50% a probabilidade de o CLARITY Act passar em 2026. A justificativa é técnica, não há votação marcada no plenário, não foi apresentada moção para iniciar a deliberação e os textos das comissões ainda divergem. O Comitê Bancário do Senado aprovou o projeto por 15 votos a 9, mas a etapa seguinte exige 60 votos no plenário, coordenação com o Comitê de Agricultura e harmonização com a versão já aprovada na Câmara.
O calendário aperta. Apoiadores apontam uma janela curta entre 13 de julho e 7 de agosto, antes do recesso parlamentar. Depois disso, a agenda eleitoral toma conta da pauta. Pontos sobre ética parlamentar, regras antilavagem e diferenças entre comissões seguem em aberto, e a senadora Cynthia Lummis alertou que um fracasso pode empurrar uma legislação cripto abrangente para 2030.
Strategy e tesourarias no radar do deleverage
O risco mais imediato citado por Zach Pandl, head de pesquisa da Grayscale, está no balanço da Strategy (antiga MicroStrategy) e em outras digital asset treasuries (DATs). Se juros subirem e o CLARITY travar, empresas podem vender Bitcoin para reduzir dívidas e desalavancar operações.
O cenário não é abstrato. A Strategy carrega dívida de US$ 7,9 bilhões à vista e tem usado emissão de ações preferenciais para gerar caixa enquanto o MSTR cai. Some-se a isso o fato de que ETFs spot de Bitcoin perderam US$ 1,79 bilhão em uma única semana, e o quadro de liquidez fica claro, o comprador marginal sumiu justo quando o vendedor estrutural pode aparecer.
Queda pode ser mais rasa que em ciclos anteriores
Apesar do tom cauteloso, a Grayscale rejeita a comparação direta com bear markets anteriores. Ciclos passados registraram quedas de pico a fundo da ordem de 80%. A gestora prevê queda menos intensa porque o mercado avançou com moderação e investidores institucionais mantêm demanda mais resiliente.
“Se os riscos de baixa se materializarem, podemos ver o Bitcoin cair moderadamente mais”, escreveu Pandl no relatório da Grayscale Research.
Brasileiro sente efeito via câmbio e exchanges locais
Para o investidor local, o nó americano se conecta a outro nó doméstico. O Banco Central avança em restrições próprias prepara travar saques de stablecoins por 24h e já proibiu operações de câmbio com fundos cripto. Sem definição regulatória nos EUA, o Banco Central ganha espaço para endurecer regras sem seguir padrões internacionais.
Desalavancagem da Strategy pressiona o Bitcoin, enquanto juros altos nos EUA fortalecem o dólar frente ao real. Com o dólar a R$ 5,1690, qualquer queda do Bitcoin em USD pode ser parcialmente amortecida no preço em BRL mas a volatilidade cambial adiciona risco ao investidor que compra cripto para se proteger justamente da desvalorização monetária.