- Executivos estimam que cerca de dez empresas cripto conseguirão autorização do BC; a projeção não é oficial.
- NovaDAX e Digitra direcionam clientes à Foxbit, enquanto Bitso firma parceria com o Mercado Bitcoin para atender o varejo.
- Coinext cita falta de capital mínimo para solicitar licença, e Bitnuvem aponta concorrência e regulação entre motivos do encerramento.
O mercado brasileiro de criptomoedas pode chegar à nova fase regulatória com um número muito menor de empresas operando com estrutura própria. Executivos ouvidos pelo Valor Investe estimam que cerca de 10 companhias devem conseguir autorização do Banco Central, em um universo calculado pelo setor entre 150 e 200 participantes.
De acordo com a reportagem do Valor publicada nesta sexta-feira (11), entre 20 e 25 empresas teriam estrutura, capital ou interesse em apresentar o pedido e destas, somente 10 teriam capacidade e condição para serem aprovadas pelo Banco Central. A projeção é de profissionais do mercado e não representa uma previsão oficial do BC nem um limite de licenças estabelecido pelo regulador.
A NovaDAX anunciou em junho o encerramento de sua operação, acompanhado de um acordo para facilitar a migração de clientes para a Foxbit, conforme o levantamento do Valor. O site da própria NovaDAX também apresenta um aviso sobre a descontinuidade da plataforma.
A Digitra.com também encerrou sua operação de varejo e direcionou clientes à Foxbit, segundo a mesma reportagem. Sua página oficial exibe um comunicado sobre o fechamento da plataforma de negociação e custódia.
No caso da Bitso, a parceria anunciada no início de setembro foi com o Mercado Bitcoin. Nela, os clientes pessoa física no Brasil passam a investir no MB, enquanto a Bitso concentra sua atuação local em infraestrutura e serviços para institucionais.
A mudança representa uma reorganização da presença brasileira da companhia, com foco em outro segmento. Já a Mynt, plataforma de criptoativos do BTG Pactual, foi incorporada às plataformas do próprio banco, também conforme o levantamento.

Coinext cita falta de capital; Bitnuvem começou saída em 2025
A Coinext estabeleceu uma relação direta entre o encerramento de sua atividade de corretora e as exigências regulatórias. Em comunicado, afirmou que não atingiu o capital mínimo necessário para apresentar o pedido de autorização ao Banco Central.
A companhia informou que conversou com potenciais parceiros e avaliou alternativas para continuar, mas não encontrou uma solução viável. Segundo a empresa, o encerramento ocorre enquanto dispõe de recursos, equipe e infraestrutura para devolver os saldos dos clientes.
O cronograma divulgado prevê o fim das negociações em 15 de outubro e o recebimento de solicitações de saques de criptoativos até 20 de outubro. Os saques em reais permanecerão disponíveis por prazo indeterminado.
Na Bitnuvem, o processo começou antes. Embora o levantamento cite o encerramento neste ano, o comunicado oficial informa que a desativação gradual dos serviços teve início em outubro de 2025, com comunicação prévia aos clientes.
A Bitnuvem atribuiu a inviabilidade da continuidade à combinação entre a presença de grandes concorrentes internacionais e uma regulamentação que considera desfavorável às fintechs. A empresa mantém um portal para acesso ao histórico e orienta clientes com saldo a realizar a retirada.
Capital e custos de conformidade pressionam empresas menores
As novas exigências do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais podem acelerar a consolidação do mercado brasileiro, ao ampliar os custos relacionados a capital, tecnologia, segurança e conformidade. A avaliação é de Marcelo Manzano, gerente de Soluções e Engenharia na Snowflake Brasil.
As regras entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026. As empresas que já operavam no país receberam um período de transição para solicitar autorização ao BC, com prazo previsto até 29 de outubro. A partir de 30 de outubro, instituições autorizadas pelo regulador não poderão viabilizar operações com prestadoras que não estejam autorizadas ou em processo de autorização.
Além da obtenção da licença, as empresas precisam manter estruturas de governança, controles internos, segurança cibernética, prevenção à lavagem de dinheiro e separação dos ativos dos clientes. Na avaliação de Manzano, o conjunto de exigências pode favorecer companhias que já possuem maior escala e capacidade financeira.
A metodologia definida pela Resolução Conjunta nº 14 estabelece diferentes componentes para calcular o capital social e o patrimônio líquido mínimos das prestadoras. Dependendo das atividades e dos riscos assumidos, os valores podem variar de aproximadamente R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões.
“Existe um risco real de consolidação. O novo arcabouço regulatório do Banco Central, que estabelece requisitos mínimos de capital variando de R$ 10,8 milhões a R$ 37 milhões para SPSAVs, favorece naturalmente empresas que já possuem escala”, afirmou Manzano em entrevista ao BitNotícias.

