Bitcoin pode cair a US$ 23,9 mil se bolsa dos EUA tombar 50%

  • Jesse Olson aponta US$ 23.980 como piso técnico se S&P 500 cair mais de 50%
  • ETFs de Bitcoin acumulam US$ 4,68 bilhões em saques líquidos desde maio
  • Coinbase Premium segue negativo em 2026 e sinaliza fuga institucional

O bitcoin pode despencar mais de 60% e voltar à casa dos US$ 23.980 ao longo de 2026 caso o mercado acionário dos Estados Unidos sofra uma queda superior a 50%. A projeção é do analista técnico Jesse Olson, que publicou um gráfico bissemanal no domingo com a tese de pior caso para o ativo.

O nível de US$ 23,9 mil sai de uma linha de suporte ponderada por volume ancorada no fundo do bear market de 2022, calculada pelo indicador proprietário Market Sniper Pro VWAP. A ferramenta projeta, ao longo do tempo, o preço médio do BTC ajustado pelo volume negociado desde o ponto de ancoragem.

Hoje o BTC é cotado a US$ 63.960, equivalente a R$ 330,7 mil, com leve alta de 0,2% em 24 horas. Para validar o cenário de Olson, seria necessário um colapso comparável ao das maiores quedas históricas de Wall Street.

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Gráfico Bitcoin
Fonte: coinmarketcap

Bolha de IA no radar de Grantham e Burry

O alerta de Olson não é isolado. Jeremy Grantham, cofundador da GMO, classificou o boom da inteligência artificial como uma bolha especulativa relevante. Michael Burry, famoso pela aposta contra as hipotecas subprime em 2008, comparou o rali atual aos estágios finais da mania das pontocom.

O economista Gary Shilling reforçou o coro ao afirmar que uma recessão nos EUA seria “quase inevitável” até o fim do ano, com risco de correção de 20% a 30% nas bolsas. Em uma queda dessa magnitude, o bitcoin tende a se comportar como ativo de risco e perder o discurso de hedge algo já observado em março de 2020 e no segundo trimestre de 2022.

O paralelo com a tese de Burry vem sendo reforçado por bancos. O Bank of America também comparou o ciclo atual de IA à bolha das pontocom, reforçando o ambiente de aversão a risco que pressiona ativos voláteis como o BTC.

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Coinbase Premium negativo revela fuga institucional

Outro dado citado por Olson é o Coinbase Premium Index, que mede a diferença de preço do bitcoin entre a Coinbase e a Binance. Quando positivo, indica demanda institucional americana mais forte. Quando negativo, aponta para venda profissional ou demanda fraca no lado dos compradores qualificados.

O índice opera majoritariamente em terreno negativo em 2026, segundo dados da CryptoQuant compilados pelo analista Darkfost.

“Esses investidores não agem como o varejo. Eles operam sob lógica permanente de gestão de risco, não estão tentando comprar o fundo, estão esperando confirmação e desempenho. E não é o caso ainda”, escreveu Darkfost em post associado à CryptoQuant.

Os ETFs spot de bitcoin nos Estados Unidos confirmam o movimento. Desde maio, os fundos somam US$ 4,68 bilhões em saídas líquidas, segundo a SoSoValue. O fluxo negativo coincide com a perda recente do suporte psicológico em US$ 64 mil, episódio em que a BlackRock vendeu 1.000 BTC do IBIT.

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Fluxos líquidos de ETFs de Bitcoin nos EUA. Fonte: SoSoValue

Trader brasileiro precisa monitorar correlação com S&P 500

Para o investidor que opera em real, o cenário traz uma camada extra de atenção. Mesmo com o dólar a R$ 5,16, uma desvalorização de 60% no BTC arrastaria a cotação local para perto de R$ 124 mil patamar visto pela última vez no início de 2024. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit costumam registrar picos de volume vendedor em movimentos sincronizados com Wall Street, especialmente nos pregões de quinta e sexta-feira.

Alex Thorn, da Galaxy Digital, e o trader pseudônimo Crypto Kid já haviam mapeado cenários de BTC abaixo de US$ 30 mil em caso de crash acionário. O mesmo raciocínio aparece em projeções de curto prazo, como a do teste de US$ 59 mil mapeado por analistas técnicos. Olson leva a tese ao extremo ao pressupor reversão do ciclo institucional impulsionado pelos ETFs em 2024.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.