- ETFs de XRP à vista nos EUA somam US$ 1,05 bilhão em ativos
- Alta de 10,5% do token no período recompôs a marca psicológica
- Captação líquida da semana foi de apenas US$ 17,19 milhões
Os fundos de índice à vista de XRP negociados nos Estados Unidos voltaram ao patamar simbólico de US$ 1 bilhão em ativos sob gestão. Segundo relatório da SoSoValue, os cinco produtos disponíveis somaram US$ 1,05 bilhão no consolidado de 7 de julho. O detalhe incômodo, essa recuperação não veio de dinheiro novo, e sim da valorização recente do próprio token.

No intervalo apurado, o XRP subiu 10,5% e saiu do flerte com o piso de US$ 1,00 registrado em junho. A cotação atual gira em torno de US$ 1,12, equivalente a cerca de R$ 5,76. Como o valor dos ETFs está diretamente atrelado ao ativo subjacente, o salto do preço recompôs a capitalização do setor sem exigir esforço adicional dos emissores.
Bitwise lidera com US$ 330 milhões sob gestão
A distribuição de poder entre os fundos ficou concentrada no topo. O Bitwise (XRP) manteve a liderança com US$ 330,84 milhões em ativos, combinando efeito preço e uma entrada localizada de capital. Logo atrás aparece o Canary (XRPC), com US$ 265,30 milhões, seguido pelo Franklin Templeton (XRPZ), que fechou o pódio em US$ 261,68 milhões.
O dado que preocupa gestores é o fluxo real. A captação líquida da semana ficou em US$ 17,19 milhões número modesto para uma classe de produto que já acumula nove semanas consecutivas de entradas positivas. Desde o lançamento, o saldo acumulado atinge US$ 1,49 bilhão. O ritmo, porém, desacelera de forma visível em relação ao início do ano.
Sem tração de capital novo, o setor ficou dependente da direção do preço à vista. Uma correção adicional de dígitos simples empurraria a categoria de volta para baixo do bilhão, expondo a fragilidade do vetor que sustenta o marketing institucional dos emissores. É esse tipo de leitura que separa demanda genuína de preservação contábil.
CLARITY Act adiado trava decisão de grandes fundos
Boa parte da cautela vem de Washington. A votação final do CLARITY Act, texto que deve classificar o XRP como commodity e reduzir o risco jurídico do ativo, foi novamente empurrada agora para o fim de julho ou agosto de 2026. Enquanto o Congresso se arrasta, os grandes alocadores institucionais preferem congelar decisões e observar.
A Ripple, emissora ligada ao ecossistema, tenta influenciar o desfecho. A empresa apresentou nas últimas semanas propostas regulatórias para XRP e RLUSD a autoridades americanas, buscando um arcabouço que separe o token nativo do XRP Ledger da stablecoin da casa. O movimento é lido como tentativa de destravar mandatos de fundos que ainda esperam clareza jurídica antes de comprar cotas.
No plano técnico, o comportamento do XRP ao redor da faixa de US$ 1,00 tem gerado debate. Traders classificaram o suporte como potencial armadilha para vendedores após o repique de dois dígitos. Se o cenário se confirmar, os emissores ganhariam gordura adicional sobre a marca psicológica mas continuariam sem resolver o problema estrutural, a categoria depende do preço, não da tese.
Investidor brasileiro fica limitado a BDRs e exchanges locais
Para o público brasileiro, o acesso direto a esses produtos ainda depende de conta em corretora internacional. A CVM não aprovou até o momento nenhum ETF de XRP no país, e a via mais comum segue sendo a compra do token à vista em exchanges nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance. Vale acompanhar também como o fluxo institucional americano contrasta com o comportamento das baleias em Bitcoin, que preferiram acumular à vista enquanto ETFs sofriam resgates.
O saldo do setor de XRP nos EUA é ambíguo. Nove semanas seguidas de entradas mostram interesse residual constante. Ao mesmo tempo, o valor absoluto captado encolheu, e a manutenção do marco de US$ 1 bilhão passou a ser função direta do gráfico à vista variável que nenhum gestor controla.