- Arc entra em mainnet pública com 11 validadores fundadores do sistema financeiro tradicional
- Circle captou US$ 222 milhões em pré-venda avaliando o token em US$ 3 bilhões
- Traders apostam em repetição do fluxo especulativo visto na Robinhood Chain
A Circle liga nesta quarta-feira a mainnet pública da Arc, sua rede Layer 1 desenhada para pagamentos, câmbio e liquidação de títulos tokenizados. A lista de validadores fundadores tem 11 nomes, quase todos vindos do sistema financeiro tradicional: BlackRock, Visa, Mastercard, Galaxy, SBI Group e Standard Chartered entre eles.
A emissora do USDC levantou US$ 222 milhões em pré-venda do token da rede, com avaliação implícita de US$ 3 bilhões. Não há token nativo volátil bancando as taxas: o gás é cobrado em USDC, a stablecoin que a própria Circle emite e que hoje soma US$ 74,2 bilhões em capitalização.
Porém a rede pode enfrentar um problema desconfortável, a Robinhood Chain, L2 construída sobre Arbitrum, subiu em 1º de julho com discurso quase idêntico: ativos do mundo real, tokenização de instrumentos financeiros, infraestrutura séria.
Mas em uma semana, memecoins dominaram a rede. O volume em exchanges descentralizadas cravou US$ 563,9 milhões em 8 de julho, segundo dados da Dune Analytics. No mesmo dia, usuários criaram 16.639 tokens na blockchain.
O ritmo esfriou em agosto, voltou em seguida. No dia 29 daquele mês, a rede cruzou US$ 1,06 bilhão em volume diário — a primeira vez acima de dez dígitos. Neste mês, o pico foi de US$ 3,7 bilhões. Nenhum desses números veio de tokenização de ações.
Traders já mapearam launchpads antes da mainnet
Nas últimas semanas, perfis do circuito de trading especulativo passaram a catalogar launchpads da Arc e tokens pré-mainnet. A tese é simples: a semana de estreia repete o roteiro da Robinhood Chain.
“Se você acompanha o CT, provavelmente já viu gente chamando isso de próximas trincheiras da Robinhood. Talvez estejam certos”, escreveu o trader StarPlatinum em publicação no X.
Ter a maior gestora do mundo operando um nó muda o cálculo de risco. A BlackRock, que também é gestora de reservas do USDC e vem ampliando exposição via ETFs, agora empresta o nome à segurança de uma rede que pode virar manchete por motivos que nada têm a ver com pagamentos.
Visa e Mastercard estão na mesma posição. São companhias reguladas em dezenas de jurisdições, incluindo o Brasil, onde o Banco Central finaliza o arcabouço de prestadores de serviço de ativos virtuais.
A primeira semana de operação vai dar a resposta empírica. Se o volume da Arc vier de corredores de pagamento e câmbio institucional, a Circle valida a tese. Se vier de DEX e tokens criados em massa, o setor ganha mais um caso de infraestrutura séria sequestrada pela especulação.


