ESTA MATÉRIA FOI ATUALIZADA EM OUTRA POSTAGEM COM A POSIÇÃO DA GATE.IO DE QUE A EMPRESA JÁ FEZ AS MUDANÇAS PARA PERMANECER NO BRASIL E PEDIR LICENÇA AO BANCO CENTRAL – https://bitnoticias.com.br/noticias/gate-io-nao-vai-sair-do-brasil-e-ja-prepara-pedido-de-licenca-ao-banco-central/
- Gate.io deixa o Brasil, demite sua equipe local e não pretende solicitar autorização ao Banco Central, segundo informações recebidas pelo BitNotícias.
- Nova regulamentação provoca saída de exchanges, como Coinext, NovaDAX, Lemon e Digitra, além de acelerar fusões e a concentração do mercado.
- Expectativa de pedidos de licença cai de até 150 para pouco mais de 10 empresas, enquanto o prazo de autorização se encerra em 30 de outubro.
A exchange internacional Gate.io, uma das 7 maiores do mundo, de acordo com o Coinmarketcap, decidiu encerrar sua estrutura operacional no Brasil e não solicitar autorização ao Banco Central para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais (SPSAV). Segundo informações recebidas pelo BitNotícias, a decisão também foi acompanhada da demissão de toda a equipe que trabalhava para a companhia no país.
O movimento acontece a poucos dias de 30 de outubro, prazo final para que empresas de criptomoedas já em funcionamento apresentem a primeira etapa do pedido de autorização ao regulador. A saída da Gate.io amplia uma onda de encerramentos, redução de serviços e fusões que vem transformando o mercado brasileiro de ativos digitais ao longo de 2026.
A possibilidade de a Gate.io abandonar o país já havia sido antecipada em março pelo Valor Econômico, que apontou que a plataforma, assim como a KuCoin, não teria intenção de participar do processo de licenciamento. Na ocasião, as empresas não confirmaram publicamente essa decisão.
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Agora, as informações sobre o desmonte da equipe brasileira reforçam o cenário de saída da Gate.io do mercado regulado nacional. Até o momento, não foi localizado um comunicado oficial da exchange detalhando as demissões, o encerramento da estrutura local ou eventuais mudanças para os clientes brasileiros.
Gate.io se junta a empresas que desistiram de operar no Brasil
A decisão da Gate.io acontece em um momento de forte reorganização do setor. Desde o anúncio das novas regras do Banco Central, diversas empresas concluíram que os investimentos necessários para continuar operando não seriam economicamente viáveis.
Uma das primeiras foi a Crypto Use, que anunciou o encerramento de suas atividades em dezembro de 2025. Seu fundador, Davi Lopes, afirmou que as exigências de capital mínimo e estrutura operacional tornaram impossível manter o negócio no estágio em que se encontrava.
Em 2026, a lista cresceu. A Bitnuvem anunciou o fim de suas atividades, enquanto a NovaDAX desativou as negociações em julho. A Digitra.com também decidiu não solicitar autorização ao Banco Central e iniciou o encerramento de suas atividades de negociação e custódia, estabelecendo uma parceria com a Foxbit para facilitar a migração voluntária dos clientes.
Outro caso foi o da Coinext, que anunciou em setembro o fim de sua operação como exchange. A companhia informou que não alcançou o capital regulatório mínimo necessário para solicitar a licença. Entretanto, a decisão não atingiu a Coinext Asset, seu braço de gestão de recursos.
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A Lemon, plataforma de origem argentina, também anunciou sua saída do mercado brasileiro em setembro. A empresa atribuiu a decisão às novas exigências regulatórias e estabeleceu o encerramento das contas brasileiras para 16 de outubro, mantendo suas operações em outros países latino-americanos.
Já a Bitso optou por encerrar o atendimento direto ao varejo brasileiro e firmou uma parceria com o Mercado Bitcoin para transferir clientes. A Bity, antiga Bitybank, tomou uma decisão semelhante, anunciando que não solicitaria autorização e que encerraria sua operação de corretora, com alternativas de migração para o Mercado Bitcoin e a Bipa.
O movimento também alcançou empresas que não anunciaram uma saída completa. A Crypto.com encerrou sua conta em reais em 25 de outubro, mas manteve serviços com criptomoedas. A Ripio anunciou mudanças no tratamento dos saldos em reais, com conversões para a stablecoin wBRL, sem abandonar o mercado brasileiro.
Em paralelo, a CoinEx anunciou o encerramento global de suas operações, incluindo os serviços oferecidos aos brasileiros, com prazo para saques até 22 de dezembro. Diferentemente dos casos diretamente associados à regulamentação nacional, a companhia apontou também a retração das negociações e os custos operacionais internacionais como fatores para sua decisão.
Regulação provoca fusões e concentração
A saída de tantas companhias ajuda a explicar uma mudança significativa nas expectativas sobre o mercado brasileiro de criptomoedas. No início das discussões regulatórias, estimativas mencionadas pelo Banco Central apontavam para 100 a 150 empresas interessadas em autorização. Posteriormente, associações passaram a trabalhar com aproximadamente 50 participantes.
Agora, às vésperas do prazo regulatório, estimativas de mercado mencionadas por Bruno Samora, CPO da Matera, apontam para pouco mais de dez empresas apresentando pedidos de autorização. O número representa uma projeção, e não uma contagem definitiva de solicitações recebidas pelo Banco Central.
“Tem várias empresas que estão se preparando, que não enviaram o seu pedido de autorização ainda e que possivelmente vão fazer até as 4h30 da tarde do dia 30”, afirmou Samora.
Segundo o executivo, algumas companhias podem deixar o protocolo para o último momento por uma razão estratégica. “No momento que você envia seu pedido de autorização, você passa a estar obrigado a já cumprir com algumas regras básicas”, explicou.
O principal desafio envolve a combinação de capital, governança, tecnologia, segurança e controles internos. Os requisitos patrimoniais podem alcançar dezenas de milhões de reais, dependendo das atividades desenvolvidas, enquanto as empresas também precisam demonstrar capacidade operacional compatível com o novo ambiente regulatório.
“A principal barreira que a gente tem percebido é conseguir digerir todo esse padrão, mais do que se custa X ou custa Y. É entender, de fato, tudo o que precisa ser colocado em ordem e em prática, para poder passar por uma autorização”, destacou Samora.
As exigências também afetam empresas internacionais que mantinham estruturas relativamente pequenas no Brasil, muitas vezes concentradas em marketing, atendimento comercial e desenvolvimento de negócios. Agora, essas companhias precisam avaliar estruturas jurídicas, diretores responsáveis, controles e capital para atuar sob supervisão do Banco Central.
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Entretanto, nem todas as empresas estão escolhendo sair. Outras decidiram unir operações para alcançar a escala necessária. Um exemplo é a fusão entre a Urban e o Grupo Caldeira OTC, anunciada em 19 de outubro, reunindo negócios que movimentaram mais de R$ 21 bilhões em ativos virtuais em 2026, segundo as companhias.
A nova estrutura, que mantém a marca Urban, pretende atuar principalmente no mercado institucional, oferecendo liquidez, pagamentos internacionais e infraestrutura tecnológica. A companhia também anunciou a intenção de apresentar um pedido de autorização ao Banco Central.
“O que a gente está vendo é que tem empresas, de fato, passando por consolidação, então grupos se juntando ali para operar”, afirmou Samora.
As parcerias de migração de clientes também revelam uma concentração crescente do mercado, embora não representem necessariamente fusões societárias. O Mercado Bitcoin passou a receber usuários de plataformas como Bitso e Bity, enquanto a Foxbit estabeleceu uma parceria comercial para atender clientes da Digitra.com.
A reorganização, porém, não significa que os bancos estejam comprando exchanges em larga escala. Segundo Samora, grandes instituições financeiras têm preferido desenvolver suas próprias estruturas de ativos digitais. “Tenho visto mais, principalmente das grandes organizações, criarem a competência interna”, afirmou.




