- Bitwise descarta altcoins ligadas a ações tokenizadas e recomenda redes por trás da tecnologia
- Chainlink teria entre 70% e 80% do mercado de oráculos, segundo Hougan
- ETFs spot de LINK não registraram semana de saída líquida desde dezembro
Comprar uma ação tokenizada não transforma ninguém em sócio da tokenização. A tese é de Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, e vai na contramão do discurso que tomou conta do setor nos últimos 18 meses.
Para ele, o retorno está na infraestrutura. Hougan citou três ativos: Ethereum, Solana e Chainlink.
O raciocínio é direto. Uma ação da Tesla tokenizada continua sendo uma ação da Tesla — o desempenho vem da empresa, não do envelope digital. As vantagens existem, mas são operacionais: negociação ininterrupta e uso mais simples como garantia em empréstimos.
“Se você como investidor quer se beneficiar da tokenização, precisa possuir a infraestrutura que a torna possível”, afirmou o executivo em entrevista divulgada no X.
Chainlink concentra entre 70% e 80% do mercado de oráculos
Hougan usou uma analogia simples para explicar o papel do protocolo. Uma blockchain seria uma planilha potente rodando num computador sem internet: executa cálculos complexos, mas não enxerga cotação de ação, preço de título público ou taxa de câmbio.
O Chainlink fornece essa ponte. E, segundo a estimativa do executivo, domina entre 70% e 80% do mercado de oráculos — a camada que leva dados do mundo real para dentro dos contratos inteligentes.
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A conta que ele faz em seguida é de valuation. Hougan calcula o projeto entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões, valor que classificou como pequeno diante da função de sustentar mercados globais pelas próximas três a cinco décadas. O LINK é negociado a US$ 14,14, alta de 2% em 24 horas.
ETFs de LINK não tiveram semana de saída líquida desde a estreia
Um detalhe citado na entrevista chama atenção. Os ETFs spot de Chainlink começaram a operar em dezembro de 2025 e, desde então, não registraram uma única semana de resgate líquido — mesmo com o humor do mercado deteriorado ao longo de 2026.
“Os investidores entenderam”, resumiu Hougan.
Esse comportamento contrasta com o que se viu em outros produtos. Os ETFs de Bitcoin alternaram meses de captação forte com semanas de saída relevante no mesmo período. Fluxo contínuo em um produto de altcoin sugere perfil de comprador diferente: menos tático, mais posicionado em tese longa.
Ethereum e Solana entram na lista por outro motivo. Hougan os descreve como as camadas 1 de alta performance onde a tokenização de fato acontece. O ETH opera a US$ 2.691 e o SOL, a US$ 120,06 — ambos longe das máximas, o que o executivo não trata como problema, já que a tese é de infraestrutura de longo prazo.
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O executivo elencou duas mudanças que espera ver na próxima década. A primeira é o mercado que nunca fecha: negociação 24 horas por dia, todos os dias, sem esperar a abertura de segunda-feira para reagir a um evento relevante.
A segunda é crédito. Tomar empréstimo usando ações como garantia hoje é privilégio de cliente private. Protocolos DeFi poderiam estender o mesmo serviço a qualquer investidor com carteira.
Hougan foi além e chamou a tokenização de maior ferramenta de inclusão financeira já criada — qualquer pessoa com celular teria acesso a mercados globais. A afirmação é ambiciosa e depende de execução regulatória que ainda não existe em escala.




