- Hayes afirma que ETFs à vista retiraram a vantagem competitiva da Strategy
- ETFs de Bitcoin nos EUA captaram US$ 241 milhões na última semana
- Executivo prevê Bitcoin a US$ 1 milhão, sem prazo nem metodologia
Michael Saylor deixou de ser peça central na formação de preço do Bitcoin. A tese é de Arthur Hayes, cofundador da BitMEX e atual diretor de investimentos da Maelstrom, em entrevista de 30 minutos à apresentadora Crypto Wendy O.
Durante anos, fundos de pensão, gestoras e investidores com contas de aposentadoria nos Estados Unidos tinham pouquíssimas rotas legais para se expor ao BTC. Compra direta era vetada por mandato interno. ETFs à vista não existiam. Nesse vácuo, as ações da Strategy funcionavam como proxy.
“Saylor teve o seu momento ao sol”, disse Hayes. “Mas quando existem todos esses outros produtos e todas essas outras formas de acessar cripto, por que alguém negociaria essa ação esquisita?”
O executivo foi direto ao apontar o que monitora hoje. “Me importo mais com entradas nos ETFs”, afirmou. Na última semana, os fundos à vista americanos somaram US$ 241 milhões em captação líquida.
Hayes chamou as estruturas da empresa de “jogos de finanças corporativas”. A crítica mira as ações preferenciais emitidas pela companhia e a disputa metodológica sobre como calcular o prêmio sobre o valor patrimonial.
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O mNAV — múltiplo que compara o valor de mercado da Strategy com o valor do Bitcoin em tesouraria — virou o centro do debate. “Sabemos que ele vai vender, certo? Sabemos que quando o mNAV está acima de um, ele emite ação”, disse Hayes.
Os documentos corroboram parte do raciocínio. Em 29 de junho, a Strategy divulgou um programa de monetização de BTC que autoriza a venda de Bitcoin para levantar até US$ 1,25 bilhão destinados à sua reserva em dólar. Até 5 de julho, nada havia sido usado.
O arquivamento mais recente mostra US$ 15,7 milhões em venda de ações MSTR financiando parte de uma aquisição de 334 BTC. Volume modesto diante do histórico da empresa.

Metaplanet vendeu 10 mil BTC para provar liquidez de tesouraria
A Strategy não está sozinha nesse movimento. No terceiro trimestre, a japonesa Metaplanet vendeu 10 mil BTC com um objetivo específico: demonstrar ao mercado que sua tesouraria era de fato líquida.
Esse comportamento sinaliza uma virada de fase entre as empresas de tesouraria em Bitcoin. A narrativa de 2024 e 2025 era acumulação permanente, sem venda. Agora, as companhias precisam mostrar capacidade de converter o ativo em caixa quando o custo de capital aperta.
A própria dinâmica de fluxo reforça o argumento de Hayes. Os ETFs captaram US$ 134 milhões apenas nos dois primeiros dias de outubro.
Questionado se o Bitcoin chegaria a US$ 1 milhão, Hayes respondeu “sim” sem hesitar. Não ofereceu prazo nem modelo que sustentasse o número.
O BTC é negociado perto de US$ 86.200, ou cerca de R$ 429,6 mil na cotação do dólar a R$ 4,98. O patamar está aproximadamente 32% abaixo do recorde de US$ 126.199 marcado um ano antes. Chegar a US$ 1 milhão exigiria valorização de cerca de 11,7 vezes.
Hayes reservou ceticismo a outros cantos do mercado. Disse que “99,99%” dos traders de memecoins vão continuar perdendo dinheiro e classificou a bolsa americana como um esquema Ponzi maior que o de cripto.
Não é a primeira vez que ele ataca o CEO da Strategy. Em maio, já havia alertado detentores de BTC a não tratarem Saylor como rede de proteção. Agora subiu o tom, chamando o estilo do executivo de “charlatanice” e “circo de PT Barnum” para investidores institucionais.



