- Maxwell Stein afirma que a gestão de reservas de stablecoins se tornou um dos principais usos do fundo tokenizado da BlackRock.
- Segundo o executivo, a tokenização pode ampliar a transparência das reservas e fortalecer a confiança em novos emissores.
- A estratégia busca combinar rendimento e liquidez para investidores que operam em um mercado disponível 24 horas.
A gestão das reservas de stablecoins se tornou um dos principais casos de uso identificados pela BlackRock para seu fundo tokenizado, segundo Maxwell Stein, diretor de ativos digitais da gestora. A aplicação ajuda a enfrentar um desafio central dos emissores: conquistar a confiança dos investidores sobre os ativos que sustentam suas moedas digitais.
Stein abordou o tema nesta terça-feira, 22, durante o Brazil Tokenization Report, organizado pela Nexa Finance, em São Paulo. Ao relatar a experiência da gestora com tokenização, o executivo destacou que parte das aplicações mais relevantes surgiu depois que o produto chegou ao mercado.
Segundo ele, a proposta inicial buscava atender investidores que já operavam com criptomoedas e precisavam conciliar rendimento com disponibilidade de capital. A utilização do fundo por emissores de stablecoins acrescentou outra demanda: oferecer maior visibilidade sobre as reservas.
O relato aponta para uma oportunidade de atuação da BlackRock na infraestrutura dessas moedas digitais, por meio dos investimentos utilizados como lastro.

Reservas de stablecoins abrem espaço para fundos tokenizados
Na avaliação de Stein, novos emissores enfrentam uma dificuldade particular para conquistar espaço em um mercado com marcas estabelecidas, como USDT e USDC. Além de desenvolver o produto e atrair usuários, precisam demonstrar que possuem os recursos necessários para sustentá-lo.
Nesse contexto, o executivo destacou que manter reservas em instrumentos tokenizados permite ampliar a visibilidade sobre as posições registradas em blockchain. Para quem tenta construir credibilidade, essa característica pode representar uma vantagem.
Stein apresentou a gestão de reservas como um benefício que ganhou relevância além das expectativas iniciais para o produto. A utilidade do fundo passou a envolver tanto investidores interessados em rendimento quanto emissores que buscavam uma estrutura para suas stablecoins.
Um exemplo público dessa aplicação é o USDtb, do ecossistema Ethena. O projeto informa que suas reservas incluem o BUIDL, fundo tokenizado da BlackRock, e divulga atestações mensais e painéis de acompanhamento das reservas. O caso ilustra a utilização descrita pelo executivo, embora não seja possível identificar, na transcrição fornecida, quais emissores ele mencionou individualmente.
A distinção entre os produtos é relevante: o BUIDL é um fundo tokenizado, enquanto o USDtb é uma stablecoin que utiliza esse tipo de investimento em suas reservas. A participação do fundo no lastro não transforma a moeda digital em um produto emitido pela BlackRock.
Rendimento precisa acompanhar um mercado que funciona 24 horas
Antes dessa aplicação, a BlackRock identificou uma necessidade entre investidores que já mantinham capital em blockchain, relatou Stein. Esses participantes carregavam stablecoins para movimentar recursos rapidamente, mesmo quando os saldos não ofereciam remuneração direta.
O desafio era preservar essa flexibilidade. Segundo o executivo, para participantes do mercado cripto, a possibilidade de transferir capital e utilizá-lo como garantia a qualquer momento tinha peso decisivo na escolha de onde manter os recursos.
Por isso, oferecer rendimento por meio de um investimento tradicional não resolvia, sozinho, a demanda. O produto também precisava funcionar dentro da rotina de um mercado que opera continuamente.
Uma integração anunciada pela Circle em abril de 2024 exemplifica essa conexão. A empresa apresentou um contrato inteligente que permite aos investidores transferir cotas do BUIDL à Circle em troca de USDC, com disponibilidade 24 horas por dia e execução descrita como quase instantânea.
O mecanismo permite que o investidor venda suas cotas e continue com dólares digitais. Essa integração entre investimento e liquidez ajuda a explicar a importância atribuída por Stein às aplicações práticas da tokenização.
Adoção depende de resolver problemas dos investidores
Stein também apresentou uma avaliação sobre as dificuldades enfrentadas por iniciativas anteriores de tokenização. Segundo ele, parte dos projetos desenvolveu produtos para investidores tradicionais que ainda não tinham estrutura para operar em blockchain.
Isso criava um desencontro entre a oferta e o público capaz de utilizá-la. Enquanto os produtos aguardavam a entrada de novos participantes, os investidores que já estavam nesse ambiente tinham necessidades próprias.
A abordagem descrita pelo executivo foi começar por essa demanda existente. No caso dos recursos mantidos em stablecoins, o objetivo envolvia combinar rendimento, mobilidade e integração com operações digitais.
A gestão de reservas ampliou essa lógica: além de atender quem investe, os fundos tokenizados passaram a servir aos emissores das moedas utilizadas no próprio mercado.
Para Stein, a próxima etapa envolve expandir as possibilidades de uso desses ativos e atrair participantes tradicionais. Sua experiência indica que a adoção depende da capacidade de transformar a infraestrutura em benefícios concretos, como acesso à liquidez e maior visibilidade sobre os recursos.



