- Entrada de bancos, gestoras e bolsas traz escala e infraestrutura à tokenização, avalia executivo da Coinbase Wallet.
- Bettanin defende blockchains públicas e regras claras que preservem o potencial de inovação do mercado brasileiro.
- Base pretende aprimorar infraestrutura e apoio a empreendedores locais; segundo o porta-voz, hub brasileiro reúne mais de 50 startups.
O Brasil é um mercado estratégico para a Coinbase e deve continuar no centro dos esforços da Base para apoiar empreendedores e ampliar o uso de blockchain. Em entrevista exclusiva ao BitNotícias, Guilherme Bettanin, responsável por Growth Marketing da Coinbase Wallet, afirmou que a entrada de instituições financeiras tradicionais marca uma nova etapa para a tokenização, com mais infraestrutura, participação institucional e possibilidades de distribuição de ativos.
Segundo o executivo, essa aproximação pode levar o setor além das iniciativas experimentais e criar condições para que a tecnologia seja incorporada à emissão e à negociação de investimentos. O avanço, porém, depende também da capacidade de estabelecer regras claras sem limitar o desenvolvimento de novos produtos.
“O ingresso de organizações tradicionais no mercado de tokenização representa uma mudança concreta porque traz escala, legitimidade e infraestrutura para um setor que antes era dominado por iniciativas experimentais”, afirmou.
Bettanin também destacou a presença local da Base. De acordo com ele, o Base Node, hub localizado em Florianópolis, já reúne mais de 50 startups brasileiras. A estrutura faz parte da estratégia de apoio a desenvolvedores, fundadores e colaboradores individuais.

Bancos e bolsas levam a tokenização a uma nova etapa
Na avaliação de Bettanin, o envolvimento de bancos, gestoras e bolsas muda tanto a estrutura do mercado quanto a percepção dos investidores. A presença dessas organizações ajuda a aproximar a tecnologia de públicos que ainda não tinham acesso ou confiança para participar desse ambiente.
“A presença dessas instituições acelera a adoção da tecnologia blockchain em ativos reais, amplia a liquidez e atrai novos perfis de investidores que antes não tinham acesso ou confiança nesse mercado”, declarou.
O executivo relaciona esse movimento à integração com o sistema financeiro tradicional e à construção de padrões regulatórios mais claros. Em sua leitura, essa combinação facilita a entrada de grandes volumes de capital e amplia as possibilidades de utilização da infraestrutura blockchain.
“Assim, a tokenização deixa de ser apenas uma promessa tecnológica e passa a se consolidar como uma prática estruturada, capaz de transformar a forma como ativos são emitidos, negociados e distribuídos globalmente.”
Questionado sobre as perspectivas de ações tokenizadas no Brasil e sobre iniciativas envolvendo o mercado imobiliário, Bettanin destacou a ampliação das alternativas disponíveis ao investidor. Sua resposta, entretanto, não apresentou um cronograma para esses projetos nem detalhou produtos específicos.
“O investidor só tem a ganhar com o maior número de opções disponíveis para tokenização”, disse.
Para ele, a expansão precisa ser acompanhada de informação sobre as possibilidades e os limites da tecnologia. Esse trabalho ajuda o público a compreender o que cada iniciativa oferece e contribui para o fortalecimento do mercado.
A avaliação do executivo combina, portanto, dois fatores: a entrada de instituições capazes de ampliar a oferta e a necessidade de explicar os produtos ao investidor. O interesse institucional aparece em sua análise como um elemento central para a consolidação da tokenização.
Base defende acesso em blockchain pública e equilíbrio regulatório
A entrevista também abordou uma das questões centrais da aproximação entre o mercado de capitais e as finanças descentralizadas: como conciliar ativos tokenizados com estruturas abertas de negociação.
Questionado sobre a possibilidade de negociar valores mobiliários em protocolos DeFi e sobre a necessidade de controlar investidores, carteiras e transferências, Bettanin enfatizou o caráter público da Base.
“É fundamental esclarecer que as ações tokenizadas estão na Base, uma blockchain de camada 2 (Layer 2) permissionless, ou seja, sem necessidade de autorização prévia”, afirmou.
Segundo o porta-voz, pessoas em jurisdições fora dos Estados Unidos podem acessar esses ativos de forma autocustodiada na blockchain pública. A resposta não especificou quais produtos, emissores ou países estão contemplados, nem detalhou eventuais requisitos de elegibilidade.
Bettanin também não explicou como seriam implementados os controles mencionados na pergunta. Sua declaração concentrou-se na infraestrutura utilizada e na possibilidade de autocustódia, sem apresentar uma solução específica para a compatibilização entre protocolos descentralizados e exigências do mercado regulado.
Ao tratar das condições para ampliar o alcance de ativos brasileiros tokenizados, o executivo voltou a destacar a importância das regras. Para ele, o Brasil reúne capacidade técnica e um ambiente de negócios favorável à criação de soluções.
“O Brasil é um país prioritário para o ecossistema cripto e para a Coinbase, além de contar com um ambiente altamente dinâmico, com profissionais e empresas reconhecidos por sua capacidade de inovar e criar soluções para desafios do passado e do presente”, afirmou.
Bettanin descreveu a Base como uma incubadora de iniciativas voltadas a problemas e processos burocráticos. Na avaliação dele, a continuidade desse desenvolvimento exige que a regulação combine previsibilidade e espaço para experimentar.
“No entanto, para que esse ambiente continue fértil, a regulamentação precisa encontrar um equilíbrio entre estabelecer diretrizes claras sobre o que pode e não pode ser feito, sem sufocar seu potencial inovador e disruptivo.”
Questionado sobre quais segmentos teriam maior potencial de escala — entre títulos, crédito privado, recebíveis e financiamento imobiliário —, o executivo não apontou uma classe de ativos como favorita. Também não apresentou uma lista de obstáculos à distribuição internacional, concentrando sua resposta na capacidade de inovação brasileira e no equilíbrio regulatório.
Drex e apoio a startups entram na estratégia para o Brasil
O avanço de iniciativas de tokenização para além do Drex também esteve entre os assuntos da entrevista. Bettanin interpreta esse movimento como um sinal de amadurecimento do ecossistema brasileiro e de aproveitamento de estruturas já existentes.
“Esse cenário é resultado do desenvolvimento e da maturação do setor cripto no Brasil, que vai além do sistema financeiro e faz uso de bases que já existem”, disse.
Sobre os planos da Base para o próximo ano, o porta-voz apontou a continuidade dos investimentos em desenvolvimento e infraestrutura de acordo com as demandas dos empreendedores brasileiros. A entrevista não trouxe anúncios de produtos com datas de lançamento, valores de investimento ou metas de expansão.
“O Brasil é um mercado estratégico para a adoção de criptoativos em escala global. Vamos continuar aprimorando nossa infraestrutura e nosso desenvolvimento de acordo com as necessidades dos empreendedores locais”, declarou.
Como exemplo dessa atuação, Bettanin citou o Base Node em Florianópolis. Segundo ele, mais de 50 startups brasileiras já atuam no hub, que busca apoiar diferentes participantes do ecossistema de desenvolvimento.
“Um bom exemplo disso é nosso hub na cidade de Florianópolis, o Base Node, onde mais de 50 startups brasileiras já atuam e que tem como objetivo apoiar desenvolvedores, fundadores e colaboradores individuais.”
A prioridade apresentada pelo executivo é fortalecer as condições para que empreendedores locais desenvolvam aplicações. Para a Base, segundo Bettanin, a participação brasileira nessa nova fase da tokenização passa tanto pela aproximação com instituições financeiras quanto pelo apoio a quem constrói novos produtos.



