- Celcoin fecha oitava aquisição desde aporte da Summit Partners em 2024
- Fintech investirá R$ 500 milhões em três anos, R$ 200 mi em tecnologia
- Vert administra R$ 97 bilhões em ativos e emitiu R$ 142 bi em operações
A Celcoin, uma das principais provedoras de infraestrutura financeira do país, anuncio a compra da Vert Capital, gestora especializada em securitização, administração fiduciária , fundos estruturados e que também atua no mercado de tokenização.
O negócio marca a entrada da fintech no mercado de capitais e representa a oitava aquisição do grupo desde o aporte recebido da gestora norte-americana Summit Partners, em 2024.
Com a incorporação, a companhia passa a reunir sob o mesmo teto as três etapas centrais do crédito estruturado: originação, captação de recursos (funding) e movimentação financeira. Até então, a atuação da fintech se concentrava na camada tecnológica que permite originar, formalizar e operacionalizar transações. Segundo a empresa, seus clientes já geram mais de R$ 1 bilhão em originação mensal.
A operação está condicionada, em parte, à aprovação do Banco Central. Isso porque a Vert também opera como Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) desde 2024, licença que exige aval do regulador em mudanças de controle. A conclusão referente à securitizadora e à gestora de fundos, no entanto, já está formalizada.
Como parte do plano de integração, a Celcoin vai destinar R$ 500 milhões ao negócio nos próximos três anos. Desse montante, R$ 200 milhões serão aplicados exclusivamente em desenvolvimento tecnológico. A meta é encerrar 2026 com uma receita recorrente anual (ARR) de R$ 800 milhões.
Em nota, Marcelo França, CEO e cofundador da companhia, afirmou que a compra amplia o alcance sem alterar o que já funcionava nas duas empresas. “Construímos a Celcoin acreditando que a infraestrutura financeira precisava ser cada vez mais aberta, tecnológica e acessível”, disse o executivo.
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A Vert foi fundada há dez anos por Fernanda Mello, Victoria de Sá e Martha de Sá, inicialmente como securitizadora voltada ao agronegócio. Depois, migrou também para os setores imobiliário e de tecnologia, com foco em fintechs. Hoje soma mais de 240 colaboradores, já emitiu R$ 142 bilhões em operações e administra cerca de R$ 97 bilhões em ativos, em quase 500 operações que incluem FIDCs e debêntures.

Movimento espelha jogada da QI Tech em 2023
A aquisição da Vert não é a primeira ofensiva da Celcoin em crédito estruturado neste ano. Em fevereiro, a fintech já havia comprado a Via Capital, uma Sociedade de Crédito Direto (SCD) — modalidade regulada pelo BC que permite conceder empréstimos com recursos próprios. Agora, o grupo avança para o momento em que carteiras de crédito viram ativos negociados no mercado de capitais.
O caminho lembra o adotado pela concorrente QI Tech em 2023, quando comprou a Singulare para ganhar musculatura em custódia e mercado de capitais. Três anos depois, o setor de infraestrutura financeira segue em disputa acirrada. A lógica é simples: quem consegue oferecer toda a cadeia do crédito em uma única plataforma tende a reter clientes com mais facilidade e capturar margem maior por transação.

