- Tokens de ações somam US$ 3,21 bilhões, alta de 10% em 30 dias
- Perps de ações na trade[XYZ] chegam a US$ 3,01 bilhões em contratos abertos
- 97,5% das carteiras com tokens de ações guardam menos de US$ 100
A tokenização de ativos do mundo real (RWA) se tornou uma das principais apostas do mercado financeiro, atraindo empresas como BlackRock, Robinhood, Binance e Kraken. Entretanto, enquanto bilhões de dólares são movimentados por ativos tokenizados, uma pergunta começa a ganhar importância: quem está realmente ganhando dinheiro com esse mercado?
Um levantamento produzido pela Decentralisedco e publicado pela Foresight News, em 9 de outubro, mostra que a resposta pode surpreender. No segmento de ações tokenizadas, os responsáveis pela emissão dos tokens não são necessariamente aqueles que capturam a maior parcela das receitas. O dinheiro está concentrado, principalmente, nas plataformas que controlam o acesso aos investidores, cobram taxas de negociação e oferecem serviços financeiros.
Segundo o estudo, o mercado de ações tokenizadas já representa aproximadamente US$ 3,21 bilhões, com crescimento de 10% em 30 dias. Paralelamente, apenas a plataforma trade[XYZ] concentra US$ 3,01 bilhões em contratos perpétuos de ações, índices e ETFs. Embora esses derivativos não representem a propriedade dos ativos, os números mostram como a exposição a ações na blockchain está avançando por diferentes modelos de negócio.
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Empresas emitem tokens, mas quem ganha dinheiro são as plataformas
Um dos principais achados do levantamento é que emitir um token não significa necessariamente construir um negócio lucrativo. Empresas responsáveis por criar representações digitais de ações precisam estruturar operações de custódia, garantir o lastro dos ativos e manter mecanismos que permitam acompanhar os preços do mercado tradicional.
Apesar dessa infraestrutura, muitas emissoras praticamente não cobram pela criação dos tokens. Segundo o estudo, a Robinhood oferece emissão gratuita e prevê uma taxa de resgate de 0,05% após os primeiros 90 dias. A xStocks mantém suas principais taxas de emissão zeradas, enquanto a Ondo Finance obtém receitas principalmente por meio do diferencial entre preços de compra e venda.
A situação é diferente nas plataformas utilizadas pelos investidores. A Kraken, por exemplo, prevê uma taxa de 1% para determinadas conversões de xStocks, enquanto negociações no Kraken Pro podem ter tarifas de 0,08% para ordens executadas imediatamente, conforme o volume negociado. Assim, o mesmo ativo pode gerar receitas bastante diferentes dependendo de onde e como o usuário realiza a operação.
O levantamento apresenta outro exemplo dessa concentração de receitas. Em setembro, as plataformas Pons e StonkFun teriam registrado, respectivamente, US$ 23 milhões e US$ 27 milhões em receitas relacionadas às atividades de negociação em seus ecossistemas. Os valores apresentados pelo estudo não equivalem necessariamente a lucros líquidos, mas ilustram a capacidade de monetização das aplicações.
O próximo mercado bilionário pode estar nos empréstimos com RWA
Outra oportunidade identificada pelos pesquisadores está na utilização dos ativos tokenizados como garantia de empréstimos. Nesse modelo, o investidor não precisa vender suas ações para obter liquidez. Em vez disso, deposita os tokens em protocolos financeiros e recebe recursos emprestados, geralmente em stablecoins.
Na Solana, plataformas como Kamino e Jupiter Lend já aceitam determinados tokens de ações como garantia. O estudo identificou aproximadamente US$ 37 milhões em xStocks depositados nesses protocolos, sustentando US$ 9,7 milhões em empréstimos. O volume ainda representa uma parcela pequena do mercado, mas mostra que os ativos começaram a desempenhar funções além da simples negociação.
As taxas de financiamento também ajudam a explicar o interesse. No momento analisado, a Kamino oferecia empréstimos em USDC com juros próximos de 5,75% ao ano, enquanto a Jupiter Lend apresentava taxas ao redor de 4,88%. Entretanto, esses custos são variáveis e os investidores continuam sujeitos aos riscos de liquidação, especialmente quando o valor dos ativos utilizados como garantia cai.
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O desafio está na liquidez. Diferentemente das bolsas tradicionais, protocolos blockchain podem funcionar durante os finais de semana, quando os mercados de ações estão fechados. Isso cria dificuldades para precificar e liquidar garantias. Segundo os pesquisadores, a capacidade de utilizar ações tokenizadas em operações de crédito poderá determinar quais produtos conquistarão maior participação no mercado.
Ter bilhões de dólares tokenizados não significa ter bilhões em receita
O estudo também chama atenção para um problema de fragmentação. Uma mesma ação pode existir em diferentes versões tokenizadas, emitidas por empresas distintas e distribuídas por várias blockchains. A Nvidia, por exemplo, aparecia representada por 19 contratos, distribuídos entre oito emissores e 11 redes.
Essa fragmentação significa que nem todos os tokens oferecem as mesmas condições de negociação, custódia ou utilização como garantia. Os pesquisadores identificaram que determinados produtos da xStocks já conquistaram maior aceitação em protocolos de empréstimos, criando uma vantagem competitiva que vai além da quantidade de ativos emitidos.
Outro dado revela a distância entre crescimento de usuários e capital efetivamente investido. Em uma amostra de 2,5 milhões de endereços que mantinham ações tokenizadas, 97,5% possuíam menos de US$ 100. Apenas aproximadamente 18 mil carteiras registravam posições superiores a US$ 1.000. Além disso, um endereço não representa necessariamente um investidor individual.
Existe ainda uma diferença jurídica importante entre os produtos. Determinados tokens oferecem apenas exposição econômica ao preço de uma ação, sem conceder propriedade direta ou direito de voto. A própria Robinhood informa, em seus documentos regulatórios, que seus Stock Tokens emitidos em Jersey são títulos de dívida tokenizados, e não participações acionárias diretas nas empresas representadas.
Para os pesquisadores, o mercado poderá avançar para uma nova etapa quando as próprias ações forem registradas diretamente nas blockchains, reduzindo a dependência de estruturas intermediárias. Empresas como Galaxy e Forward Industries já aparecem no estudo como exemplos de iniciativas voltadas a esse modelo.




