Levantamento atualizado em 10 de outubro de 2026.
- Base pública do BC reúne sete processos de autorização; prazo da primeira fase dos pedidos termina em 30 de outubro.
- Binance, Mercado Bitcoin, B3 e outras empresas preparam pedidos e adaptam suas operações às novas exigências regulatórias.
- Coinext, NovaDAX, Bitso e Méliuz encerram ou reduzem serviços ao varejo, com diferentes prazos para saques, migração e liquidação de saldos.
O mercado brasileiro de criptomoedas se aproxima de uma data que já está mudando a relação entre exchanges, bancos e investidores. Em 30 de outubro, termina o prazo previsto para a primeira fase dos pedidos de autorização das prestadoras de serviços de ativos virtuais que já estavam em atividade quando as novas regras do Banco Central entraram em vigor. Algumas empresas prepararam estruturas locais e ampliaram equipes. Outras decidiram encerrar o negócio ou transferir clientes para concorrentes.
As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, publicadas em novembro de 2025 e vigentes desde 2 de fevereiro de 2026, estabeleceram regras de autorização, funcionamento e operações cambiais com criptoativos. A adequação envolve governança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança e proteção dos ativos dos clientes. Desde junho, o processo também exige relatório de asseguração razoável emitido por auditoria independente registrada na CVM.
Na consulta realizada para este levantamento, sete empresas aparecem na relação pública de processos de autorização em aberto no segmento de sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, as SPSAVs. A lista retornou data-base de 30 de setembro de 2026, enquanto os estágios foram checados individualmente em 10 de outubro. Como a relação tem atualização diária, ela não permite concluir que uma empresa ausente ainda não apresentou o pedido. O registro de um processo também não representa licença concedida.
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““O dia 30 de outubro não representa o encerramento da reorganização do mercado, mas o início de uma nova etapa. As empresas que protocolarem tempestivamente seus pedidos poderão continuar operando durante o processo de autorização, observadas as condições regulatórias aplicáveis. Na minha avaliação, a seleção dos participantes não ocorrerá apenas pelo cumprimento do prazo, mas também pela capacidade de sustentar, ao longo do processo, as estruturas de capital, governança e controles exigidas pelo Banco Central. Isso poderá estimular novas parcerias, reorganizações societárias e operações de aquisição. O ponto de atenção será evitar que o aumento dos padrões regulatórios produza barreiras desproporcionais à permanência de empresas menores e comprometa a concorrência.”, explica Thiago Amaral, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados (BTLAW) e especialista em Meios de Pagamentos e Criptoativos.
Outro ponto exige atenção: o prazo de protocolo e a data de restrição às contrapartes são diferentes. A Instrução Normativa BCB nº 704 mantém 30 de outubro para a documentação da primeira fase, ressalvada a possibilidade de prorrogação individual prevista na norma.
Já a Resolução BCB nº 589 transferiu para 6 de novembro o início da vedação a operações de instituições reguladas com prestadoras não autorizadas, preservando as situações expressamente admitidas pela regulamentação, como o regime de transição aplicável.
A situação também varia conforme a entidade responsável pelo serviço. Bancos, corretoras de valores e outras instituições elegíveis que já têm autorização do BC podem seguir um rito de comunicação, com documentação e certificações próprias.
Por isso, ter uma instituição de pagamento ou corretora autorizada no grupo não comprova, por si só, a autorização específica da exchange. O levantamento abaixo reúne os processos identificados, as declarações públicas, as adaptações operacionais e as sinalizações de bastidores.
“Há uma questão que merece maior atenção: as empresas tiveram de preparar seus pedidos de autorização enquanto o próprio arcabouço regulatório continuava sendo complementado e alterado. Algumas mudanças acrescentaram obrigações, enquanto outras ajustaram procedimentos e cronogramas. Mesmo quando necessárias, essas alterações exigem reavaliações jurídicas, operacionais e tecnológicas, com possíveis impactos sobre investimentos e projetos já em andamento. Na minha avaliação, esse contexto justifica que o Banco Central reavalie o prazo de 30 de outubro para a instrução da primeira fase. Uma eventual prorrogação não significaria flexibilizar requisitos de capital, governança ou controles, mas conceder tempo adicional para a apresentação de pedidos tecnicamente consistentes, sem prejuízo do cumprimento integral das exigências regulatórias”, completa Amaral
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Confira a situação atual de cada empresa
Empresas com processos identificados na base do Banco Central
A consulta individual trouxe mudanças em relação ao acompanhamento anterior: a Transfero passou de “Aguardando recebimento” para “Em Exame”, enquanto a Mazzera passou de “Em Exame” para “Em Agenda”. Os rótulos são reproduzidos conforme o sistema do BC e não permitem classificar quem está mais perto de receber a licença.
Transfero
A Transfero atua na conexão entre moedas tradicionais, stablecoins e infraestrutura de pagamentos. O grupo é conhecido pelo BRZ, ativo digital referenciado no real, e por soluções que integram movimentações em reais, Pix e criptoativos. Também possui uma instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central, licença distinta da autorização agora buscada para serviços de ativos virtuais.
O pedido da Transfero SPSAV está no processo 315453, com situação “Em Exame” na consulta individual de 10 de outubro. A mudança em relação ao registro anterior confirma movimentação no acompanhamento público, mas não permite antecipar o resultado da análise.
Mazzera
A Mazzera apresenta sua atividade como intermediação de ativos virtuais, com foco na conversão entre reais e USDT. Em seu site, informa procedimentos de identificação de clientes, prevenção à lavagem de dinheiro e segregação dos recursos dos usuários. A empresa também declara expressamente que ainda aguarda autorização do Banco Central.
O processo 315286 aparece como “Em Agenda”. Na consulta anterior, constava como “Em Exame”. A alteração de rótulo não permite concluir que houve aprovação, rejeição ou retrocesso no pedido.
PFPay
A PFPay, sediada em Curitiba, informa atuar na intermediação de criptoativos e na conversão de ativos como USDT em reais. Sua apresentação institucional destaca identificação de clientes, proteção de dados e separação entre o patrimônio da empresa e os recursos dos usuários.
O pedido está registrado no processo 314610, com situação “Em Agenda”. No próprio site, a companhia informa que está em processo de solicitação de autorização e que ainda não recebeu a concessão formal.
Masterpay
A Masterpay também se apresenta como intermediadora de ativos virtuais, oferecendo conversão e liquidação de criptoativos. A empresa informa manter controles de conformidade e segregação patrimonial e identifica sua sede em Curitiba na seção de dados institucionais.
O processo 314608 permanece “Em Agenda”. Assim como a PFPay, a Masterpay declara publicamente que a autorização ainda está pendente.
W Brasil Comércio
A W Brasil Comércio Ltda. aparece no processo 314386, com situação “Aguardando recebimento”, no segmento de SPSAV. Não foram localizados materiais institucionais suficientes para descrever com segurança seu portfólio de serviços cripto. A confirmação disponível é a existência do processo; a razão social, isoladamente, não permite atribuir à empresa uma marca de exchange ou um modelo de negócio específico.
Onda Finance
A Onda Finance trabalha com infraestrutura para pagamentos internacionais e integração entre meios de pagamento tradicionais e ativos digitais, incluindo stablecoins. Sua apresentação institucional informa que a autorização do Banco Central permanece em análise.
O processo 310524 está “Em Exame”. A empresa também foi identificada como instituição em processo de autorização no Comunicado nº 45.986, de 21 de setembro, que divulgou nomes indicados à diretoria para exame e eventuais objeções do público. Essa publicação integra o rito autorizativo e não equivale à concessão da licença.
Wynx Exchange
A Wynx Exchange, que utiliza a marca Wynx Finance, apresenta serviços de compra e venda de criptoativos e operações de balcão, conhecidas como OTC, para pessoas físicas e empresas. O site informa procedimentos de cadastro, identificação de clientes e análise de perfil antes da liberação das funcionalidades.
Seu pedido está no processo 310426, com situação “Aguardando manifestação do titular”. O dado indica a condição registrada no sistema, sem detalhar publicamente qual manifestação foi solicitada ou permitir estimar o prazo de conclusão.
Empresa com pedido indeferido
Higherway Tech / Higher Global Payments
A Higherway Tech Soluções, que atua sob a marca Higher Global Payments, oferece serviços como operações OTC, pagamentos com criptoativos e infraestrutura financeira. Seu pedido de autorização como SPSAV, processo 304022, foi indeferido em decisão de 25 de agosto, publicada no Diário Oficial da União em 28 de setembro.
Pelas regras citadas no aviso, quando não couber mais recurso, a prestadora em atividade terá até 30 dias, contados do recebimento da notificação, para cessar os serviços sujeitos à autorização e adotar as medidas de devolução aos clientes. Não foi localizada confirmação pública de reversão ou de conclusão da fase recursal.
Empresas que anunciaram planos de licença ou adaptações à regulação
Binance
A Binance anunciou uma reorganização da operação brasileira. Até 29 de outubro, os usuários residentes no país passarão a ter contas de pagamento individualizadas na Binance Brasil Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A., antiga Sim;paul. Os serviços de ativos virtuais serão prestados pela BBrasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., outra empresa do grupo.
A adaptação inclui restrições a partir de 27 de outubro para Loans, Binance Pool, Cloud Mining, Margem, Launchpool, Megadrop, HODLer Airdrops e Alpha 2.0, além da retirada de determinados tokens da negociação local. A companhia também prevê avaliação de perfil dos clientes e novos procedimentos para transferências internacionais. Os anúncios documentam a adequação, mas a base mensal consultada ainda não identifica um processo de SPSAV da BBrasil. A autorização da antiga Sim;paul não deve ser confundida com esse pedido.
Coinbase
A Coinbase declarou que pretende solicitar autorização para atuar como SPSAV após concluir a preparação de sua estrutura brasileira. Em entrevista à Broadcast publicada em 31 de julho, Fábio Plein, diretor regional para as Américas, afirmou que a prioridade era adaptar a operação às novas regras.
A preparação envolve a estrutura exigida para gerenciamento de riscos, capital, contabilidade, transparência e envio de informações ao regulador. A intenção de pedir a licença está publicamente documentada, mas o levantamento não identificou um número de processo da Coinbase entre os sete registros da relação mensal.
Mercado Bitcoin
O Mercado Bitcoin informa em seu próprio site que sua sociedade prestadora de serviços de ativos virtuais está em processo de autorização para atuar na modalidade de corretora de ativos virtuais, que reúne intermediação e custódia. A companhia também publica políticas de conformidade, gestão de riscos, segurança da informação e prevenção à lavagem de dinheiro.
Embora o grupo tenha uma CTVM e uma instituição de pagamento, a estratégia relatada é buscar autorização específica para a exchange original. A empresa, portanto, não depende apenas das licenças existentes em outras entidades do conglomerado.
B3
A B3 confirmou que pretende apresentar um pedido abrangente para sua atuação com ativos virtuais, incluindo corretagem e custódia. A informação foi dada por Humberto Costa, diretor de Produtos de Balcão e Ativos Digitais, em entrevista ao Bitnotícias em 8 de outubro. Segundo o executivo, o protocolo será feito antes do prazo regulatório.
A bolsa já oferece infraestrutura de criptoativos para participantes do mercado e prepara projetos com stablecoins e ativos tokenizados. Entre os planos estão ações tokenizadas a partir do primeiro semestre de 2027. A autorização do BC e as regras da CVM têm escopos distintos: a licença de ativos virtuais não substitui as exigências aplicáveis ao mercado de valores mobiliários.
Bybit
A Bybit anunciou publicamente que buscará a licença brasileira. Em entrevista à Exame em 2 de setembro, o CEO global Ben Zhou afirmou que a empresa havia aberto escritório em São Paulo e aportado cerca de US$ 8 milhões para preparar a estrutura local. Também apresentou como possibilidade futura a obtenção de outras licenças, de corretora e de instituição financeira.
A exchange estabeleceu 24 de setembro como data para migração dos usuários elegíveis à entidade brasileira, condicionada à identificação e à aceitação dos termos. A estrutura local limita a oferta aos produtos permitidos e exige verificação de presença para abertura de conta de pagamento e acesso a serviços em reais. Esses movimentos demonstram preparação operacional; o processo de SPSAV ainda não foi identificado na lista mensal consultada.
Liqi
A Liqi, que desenvolve infraestrutura para tokenização e securitização de ativos, também busca autorização do Banco Central para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais. A preparação para obter a licença de PSAV foi relatada pelo Finsiders Brasil em reportagem publicada em 1º de setembro.
O grupo já possui uma securitizadora registrada na CVM e mantém uma estrutura de compliance, gestão de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro liderada por Rita Casolato. Essas estruturas integram sua atuação no mercado regulado, mas o registro da securitizadora tem escopo distinto da autorização para serviços de ativos virtuais.
Ripple
A Ripple anunciou oficialmente, em 17 de março de 2026, que pretende solicitar ao Banco Central uma licença de Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV). A companhia fornece infraestrutura baseada em blockchain para bancos, fintechs e outras instituições e vinculou a decisão à expansão de sua oferta no Brasil, que reúne pagamentos internacionais, custódia de ativos digitais, soluções com stablecoins, serviços de corretagem institucional e gestão de tesouraria.
Em entrevista publicada em abril, Maria Isabel Longhi, diretora de Políticas Públicas para a América Latina, explicou que a empresa mantinha conversas com o BC e buscava cumprir as exigências regulatórias antes de apresentar a solicitação. Naquele momento, segundo a executiva, o pedido ainda não havia sido formalizado.
KuCoin
A KuCoin publicou uma vaga para country manager, com atribuições de liderança da entidade brasileira de serviços de ativos virtuais e relacionamento com o Banco Central. O anúncio descreve expressamente a busca de licenças locais e atribui ao executivo a responsabilidade pela governança e pela regularização da operação no Brasil.
A vaga constitui uma sinalização pública concreta de preparação regulatória. Ainda assim, contratar ou procurar administradores não comprova que o pedido já foi protocolado. O levantamento não identificou um processo de SPSAV da KuCoin na relação mensal.
Coins.xyz
A Coins.xyz prepara uma operação voltada a pagamentos internacionais, conversão de moedas e uso de stablecoins. Em entrevista publicada pela Exame em 7 de outubro, o country manager Guilherme Bissoli informou a expectativa de apresentar o pedido de autorização na semana seguinte. A companhia também planeja uma licença de instituição de pagamento.
A preparação aparece nas vagas divulgadas para a equipe brasileira, incluindo direção de segurança cibernética e resposta a incidentes, além de monitoramento de transações e risco. Os anúncios mencionam as exigências brasileiras de governança e conformidade. Até o recorte deste levantamento, há planos e estruturação documentados.
Foxbit
A Foxbit afirma em sua página de compliance que protocolará o pedido de autorização como PSAV dentro do prazo previsto. A empresa oferece negociação de criptomoedas e infraestrutura para operações com ativos digitais e identifica publicamente sua sociedade prestadora de serviços de ativos virtuais.
Entre as medidas declaradas estão segregação dos ativos dos clientes, custódia institucional, prevenção à lavagem de dinheiro e certificações de segurança e privacidade. A intenção de pedir autorização está confirmada pela própria companhia; a concessão dependerá da análise do BC. O processo ainda não foi localizado entre os sete registros da base mensal.
Kast
A Kast, plataforma de contas e cartões que utiliza stablecoins, anunciou a migração dos clientes brasileiros para a Kast Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., com início previsto para 10 de outubro. Para manter todas as funcionalidades, os usuários precisam aceitar os novos termos e informar o CPF; quem não cumprir essas etapas terá a conta limitada a saques até regularizar o cadastro.
A adequação também prevê verificação de identidade, monitoramento de transações e eventual solicitação de documentos, biometria e informações sobre a origem dos recursos. Nos termos brasileiros, a companhia declara atuar sob o regime de transição da Resolução BCB nº 520 e afirma que solicitará autorização dentro do prazo regulamentar, sem apresentar no anúncio uma confirmação de protocolo.
Kraken
A Kraken, exchange internacional que oferece negociação e custódia de criptomoedas, já possui uma empresa no Brasil: a Payward Brasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., com sede em São Paulo e CNPJ nº 61.533.076/0001-77.
O cadastro empresarial registra sua abertura em 1º de julho de 2025. Os termos brasileiros da plataforma identificam essa entidade como responsável pelos serviços de ativos virtuais oferecidos aos residentes no país e a apresentam como prestadora preexistente, abrangida pelas disposições de transição da Resolução BCB 520/2025.
A companhia também informa que suas operações locais começaram em outubro de 2025 e que realiza o reporte de transações à Receita Federal. Esses documentos confirmam a presença de uma estrutura brasileira e medidas de conformidade local.
Brasil Bitcoin
A Brasil Bitcoin pretende obter autorização na modalidade de corretora, reunindo intermediação e custódia. Em entrevista ao WB3News publicada em 7 de outubro, o CEO Jorge de Almeida informou que a documentação estava “99% pronta” e projetou o protocolo entre o fim da primeira quinzena e o início da segunda quinzena de outubro.
Segundo o executivo, a empresa integralizou R$ 16,8 milhões com recursos próprios, ampliou a equipe para 35 funcionários e reorganizou a coleta e a classificação dos dados necessários aos reportes regulatórios. A preparação está documentada, mas a previsão de envio deve ser distinguida da confirmação de protocolo e da autorização definitiva.
OKX
A OKX mantém uma entidade brasileira, a OKX Serviços Digitais Ltda., identificada nos termos de serviço. A migração para essa estrutura foi anunciada em 2024, antes da entrada em vigor das novas resoluções, com serviços em reais e limitações de produtos para usuários locais.
Nubank
O Nubank atualizou os termos de seu serviço de criptomoedas, com vigência em 6 de outubro. O documento identifica a Nu Crypto Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda. como responsável pela intermediação e custódia, na modalidade de corretora de ativos virtuais e sob o regime de transição da Resolução BCB nº 520.
Os termos detalham operações disponíveis, responsabilidades de custódia e procedimentos para suspensão ou descontinuidade de ativos. A mudança confirma o enquadramento contratual da operação cripto. Contudo, os termos não bastam para confirmar o protocolo do pedido: a Nu Crypto não apareceu nos sete registros da relação mensal consultada, e não foi identificado ali um número de processo.
Cainvest
A Cainvest atua como provedora de liquidez para exchanges e instituições financeiras e integra o consórcio da stablecoin BRL1, ao lado de Mercado Bitcoin, Bitso e Foxbit. Em entrevista ao Bitnotícias, publicada em 2 de setembro, Charles Aboulafia, CEO do grupo, afirmou que a companhia está se organizando para ampliar os serviços oferecidos por meio de parceiros financeiros, com estudos sobre produtos internacionais, derivativos e estruturas de crédito e garantias para ativos tokenizados.
Para o executivo, a regulamentação dos prestadores de serviços de ativos virtuais estabelece a infraestrutura para uma nova etapa de desenvolvimento do setor. A expectativa de que a Cainvest também busque autorização do Banco Central.
Tether
A Tether, emissora da stablecoin USDT, já manifestou interesse em buscar uma licença no Brasil. A sinalização foi feita por Paolo Ardoino, então diretor de tecnologia da companhia, em entrevista ao InfoMoney publicada em 5 de junho de 2023. Na ocasião, ele afirmou que a empresa consideraria solicitar autorização e estabelecer uma operação local quando houvesse maior clareza regulatória.
A declaração antecede as regras de autorização de prestadoras de serviços de ativos virtuais publicadas pelo Banco Central em 2025. Portanto, há um interesse historicamente declarado, mas a estratégia atual de licenciamento e um eventual protocolo de pedido permanecem sem confirmação neste levantamento.
Circle
A Circle, emissora do USDC, já constituiu a Circle do Brasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., inscrita no CNPJ nº 68.837.035/0001-13, com abertura registrada em 26 de agosto de 2026 e sede em São Paulo.
Seu quadro societário aponta como sócia a Circle do Brasil Holdings Ltda., que, por sua vez, tem como sócia a Circle Internet Distribution LLC, subsidiária do grupo internacional. Esses registros confirmam a constituição de uma estrutura brasileira com a denominação de prestadora de serviços de ativos virtuais, um sinal de preparação para o enquadramento regulatório.
Paxos
A Paxos, fornecedora de infraestrutura para negociação, custódia e tokenização de ativos digitais, já possui presença societária no Brasil por meio da Lomami Intermediação Ltda., inscrita no CNPJ nº 43.346.891/0001-45 e constituída em 31 de agosto de 2021.
O cadastro identifica a Paxos Holdings LLC como sócia, e um documento da SEC publicado em 2026 reconhece a Lomami como Paxos Brasil. A companhia também integra a operação de criptomoedas do Mercado Pago, cujo site atribui à Paxos os serviços de compra, venda, transferência e custódia.
BlindPay
A BlindPay anunciou que segue os procedimentos para obter a licença de prestadora de serviços de ativos virtuais no Brasil. A empresa oferece uma API que integra stablecoins, sistemas locais de pagamento, contas virtuais e ferramentas de compliance, atendendo instituições financeiras e empresas de comércio exterior.
Para fortalecer sua expansão comercial e técnica, anunciou a entrada de Diogo Shibata como sócio e Founding GTM Engineer. O executivo passou dez anos na Oracle, onde liderava o portfólio de startups na América Latina. Segundo a companhia, o volume transacionado em 2026 já ultrapassa US$ 2,5 bilhões.
No país, a BlindPay possui uma sociedade prestadora de serviços de ativos virtuais, com CNPJ nº 57.599.376/0001-81, e informa estar concluindo sua adaptação à Resolução BCB nº 520/2025, sob o regime de transição.
Obsidiam
A Obsidiam oferece soluções de pagamentos e liquidação internacional com stablecoins, com foco no USDT e no atendimento a empresas. No Brasil, possui a Obsidiam Ltda., inscrita no CNPJ nº 54.898.266/0001-22, constituída em 26 de abril de 2024 e sediada em São Paulo.
Em 2026, a companhia anunciou Henrique Giron como country manager e passou a integrar a ABcripto, reforçando sua aproximação com o debate regulatório brasileiro. Segundo Giron, a participação na associação busca ampliar o diálogo com os agentes do mercado e com o regulador. Segundo informações da reportagem, a empresa também pretende solicitar autorização ao Banco Central.
BlindPay
Além das exchanges de varejo, a BlindPay informou estar preparando sua autorização como SPSAV. A fintech desenvolve infraestrutura de pagamentos internacionais por meio de integração de sistemas e stablecoins, incluindo USDC. Seu processo de preparação foi relatado pela Broadcast e, em setembro, pela Exame. A empresa não apareceu na relação mensal dos sete processos identificados.
Bancos que sinalizam participação e adequação
Informações de bastidores reunidas para este levantamento apontam Itaú, Bradesco, BTG Pactual e Inter entre os grupos que sinalizam intenção de avançar no enquadramento regulatório. Para cada grupo, o caminho depende da entidade que prestará o serviço: uma instituição financeira elegível pode seguir o rito de comunicação, enquanto uma SPSAV separada precisa de autorização própria.
Itaú
O Itaú anunciou a oferta de negociação de Bitcoin e Ethereum aos usuários do íon e a utilização de custódia própria de criptoativos. Essa atuação fornece contexto para a sinalização de continuidade no mercado regulado.
Bradesco
O Bradesco anunciou em agosto uma solução de custódia institucional de ativos digitais, destinada a participantes do mercado financeiro, gestores, fundos e tesourarias. A Foxbit foi apresentada como primeiro cliente. O anúncio confirma uma frente concreta de negócios. O banco já opera custodia e intermediacao de 9 criptomoedas desde Fevereiro, numa base restrita de clientes e já confirmou que apresentará candidatura para PSAV no CNPJ do banco.
BTG Pacutal
O BTG Pactual anunciou a integração da Mynt aos aplicativos do banco, com migração dos clientes a partir de setembro. A instituição associou a reorganização à sua estratégia para o mercado após a regulação. Assim, o grupo já tornou pública uma mudança operacional relevante, além da sinalização de bastidores.
Inter
O Inter identifica em sua política de privacidade a Inter Digital Assets — Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda. Documentos do grupo apresentados à SEC também relacionam a subsidiária à corretagem de ativos virtuais. A estrutura societária é um fato público que acompanha a sinalização de bastidores, mas a constituição da empresa não equivale à autorização do BC. Não foi localizado seu pedido entre os sete processos da base mensal.
Empresas sem confirmação pública de pedido neste levantamento
Bitget
A Bitget já se manifestou sobre o tema, mas sem confirmar o protocolo ou uma data para pedir autorização. Em entrevista à Exame publicada em 1º de outubro, a CEO Gracy Chen afirmou que o Brasil é um mercado importante para a companhia e que a empresa mantém comunicação com reguladores.
MEXC
A MEXC é uma exchange internacional com amplo catálogo de criptoativos e serviços de negociação. Até o recorte da apuração, não foi localizada confirmação pública de pedido de autorização como SPSAV no Brasil, de uma data de protocolo ou de uma decisão de saída ligada ao novo marco. Seu nome também não aparece entre os sete processos identificados.
BingX
A BingX oferece negociação de criptoativos e ferramentas como copy trading, que permitem acompanhar operações de outros negociadores. Neste levantamento, não foi localizada confirmação pública sobre protocolo de SPSAV, cronograma de autorização ou encerramento da operação brasileira e também não há, até o momento, nenhuma manifestação pública de que a exchange vai pedir licença.
Kraken, Gate.io e TruBit
Essas plataformas também foram identificadas em levantamento público do Portal do Bitcoin sem confirmação de pedido de SPSAV. No caso da Gate.io, uma reportagem anterior apontou falta de intenção de buscar a licença, mas sem confirmação pública da própria empresa. Esse relato, isoladamente, não permite classificar a saída como decisão definitiva.
Bipa
O caso da Bipa exige separar atividades de pagamento e serviços cripto. O acompanhamento público citado pelo Portal do Bitcoin identifica processo de autorização de instituição de pagamento, o que não corresponde automaticamente a um pedido de SPSAV. Sem confirmação do enquadramento específico dos serviços de ativos virtuais, as duas licenças não devem ser tratadas como equivalentes.
Empresas que desistiram da licença ou encerram operações de varejo
Coinext
A Coinext confirmou que não atingiu o capital regulatório mínimo necessário para apresentar o pedido e decidiu encerrar a atividade de corretora de ativos virtuais. O comunicado diferencia o fim dos serviços cripto da continuidade da companhia para devolver recursos e atender clientes.
O cronograma prevê negociação até 15 de outubro e solicitações de saques de criptoativos até 20 de outubro, às 23h59 de Brasília. A partir de 26 de outubro, os ativos remanescentes serão liquidados e convertidos em reais. Os saques de saldos em reais e o atendimento permanecem disponíveis por prazo indeterminado.
Digitra.com
A Digitra.com declarou expressamente que não apresentará pedido de autorização como prestadora de serviços de ativos virtuais. A decisão foi acompanhada do encerramento ordenado da negociação e da custódia de varejo e de uma parceria para encaminhar clientes à Foxbit.
O prazo final de saque de criptoativos foi prorrogado para 28 de setembro. O comunicado prevê conversão dos ativos remanescentes e retirada dos saldos resultantes até 19 de outubro, além de disponibilidade do histórico e dos relatórios fiscais até 30 de outubro.
NovaDAX
A NovaDAX encerrou a negociação em sua plataforma e encaminhou clientes à Foxbit. Em atualização divulgada em 1º de outubro, prorrogou para 30 de outubro o prazo final para retirada de criptoativos. Segundo a empresa, não manterá a custódia desses ativos a partir de 31 de outubro. Os saldos não retirados serão convertidos em reais e posteriormente disponibilizados para saque.
Lemon
A Lemon anunciou a saída do Brasil e atribuiu a decisão às novas exigências regulatórias. A plataforma, criada na Argentina, havia ampliado sua atuação local com um cartão integrado a criptomoedas. O cronograma comunicado aos clientes estabeleceu o fim do funcionamento do cartão em 30 de setembro e o encerramento das contas brasileiras em 16 de outubro.
Bitnuvem
A Bitnuvem informou que iniciou o encerramento gradual dos serviços em outubro de 2025. No comunicado oficial, relacionou a decisão à concorrência de grandes plataformas internacionais e a um ambiente regulatório que considerou desfavorável à continuidade da fintech. A empresa mantém orientações para retirada de saldos e acesso ao histórico para fins fiscais.
Bity
A Bity confirmou em sua página de encerramento que não protocolará pedido de autorização como PSAV. A empresa atribuiu a decisão à escolha de concentrar capital e estrutura em outras frentes do negócio e anunciou migração facilitada para Mercado Bitcoin ou Bipa.
O cronograma atualizado em 2 de outubro prevê início de migração até 18 de novembro, compra, venda e saques de cripto até 25 de novembro e conversão dos ativos remanescentes em reais em 27 de novembro. Esses são prazos operacionais divulgados pela companhia; não comprovam, por si só, uma prorrogação regulatória concedida pelo BC.
Bitso
A Bitso anunciou que encerrará os serviços diretos de varejo no Brasil até 30 de outubro, com possibilidade de migração para o Mercado Bitcoin. Sua central de ajuda informa que os depósitos via Pix deixaram de estar disponíveis em outubro e detalha o encerramento das contas abrangidas pela transição.
A mudança não deve ser descrita como saída total do grupo do país: a estratégia anunciada mantém foco em infraestrutura e serviços institucionais.
CoinEx
A CoinEx anunciou um encerramento global. A companhia relacionou a decisão à retração do mercado, à queda da liquidez e ao aumento das exigências regulatórias em diferentes jurisdições, com saques previstos até 22 de dezembro.
Méliuz
A Méliuz anunciou que encerrará o serviço de compra e venda de Bitcoin em seu aplicativo, atribuindo a decisão às novas exigências regulatórias do Banco Central. As compras foram suspensas em 1º de outubro, e os clientes têm até 30 de outubro para vender seus saldos em BTC.
Segundo a companhia, os bitcoins que permanecerem na plataforma serão vendidos automaticamente pela cotação de mercado do dia, com os valores disponibilizados na conta digital Méliuz. A empresa afirmou que a funcionalidade era acessória e utilizada por uma pequena parcela dos clientes. O encerramento do serviço ao público não altera sua estratégia de manter Bitcoin na tesouraria corporativa.
Empresas que mudaram serviços sem anunciar saída completa
Crypto.com
A Crypto.com anunciou que encerrará a conta em reais em 25 de outubro. A partir dessa data, deixarão de funcionar depósitos, saques e negociações diretas entre BRL e criptoativos. Os saldos em reais remanescentes serão convertidos em USDC à cotação vigente.
A própria companhia informa que depósitos, saques e negociação de criptomoedas continuarão disponíveis, assim como o cartão pré-pago. O comunicado confirma a retirada dos serviços locais em reais, mas não anuncia encerramento total da plataforma nem esclarece, por si só, uma decisão definitiva sobre pedido de SPSAV.
Ripio
A Ripio comunicou que deixará de manter saldos diretamente em reais a partir de 30 de outubro. Os depósitos passarão a ser convertidos em wBRL, stablecoin referenciada na moeda brasileira, enquanto a conversão para reais e os saques via Pix continuarão disponíveis por meio do Banco Genial.
A empresa não anunciou saída do país. Essa alteração operacional, isoladamente, não comprova que a Ripio desistiu de pedir autorização ao BC.
Mercado Pago
O Mercado Pago oferece criptoativos por meio de uma estrutura que envolve diferentes empresas. A conta digital brasileira é operada pela Mercado Pago Instituição de Pagamento Ltda., supervisionada pelo Banco Central, classificação distinta da licença bancária. Na oferta cripto, os materiais oficiais identificam a Paxos como parceira nas operações com Bitcoin, Ethereum e USDP, enquanto a Ripio participa da oferta e da custódia do Meli Dólar.
A Ripio anunciou que substituirá os saldos em reais de sua plataforma por wBRL a partir de 30 de outubro, mantendo conversão e saques via Pix; esse comunicado não confirma uma saída do Brasil nem o encerramento da parceria com o Mercado Pago.
Nesse modelo, a análise regulatória precisa considerar quem efetivamente intermedeia e custodia cada ativo e qual enquadramento permite a continuidade desses serviços. A autorização da instituição de pagamento, isoladamente, não comprova a autorização dos parceiros para prestar serviços de ativos virtuais, que devem observar os requisitos e as formas de atuação admitidas pelo BC.
Outros encerramentos desde 2025
Os encerramentos também atingiram empresas menores e negócios além das exchanges tradicionais. A Crypto Use anunciou o fim das operações em dezembro de 2025, quando seu fundador, Davi Lopes, afirmou que as exigências de capital mínimo e estrutura operacional tornaram insustentável a continuidade da startup.
A HashInvest encerrou seus serviços de carteira administrada em criptomoedas em 11 de setembro de 2026 e atribuiu a decisão às exigências regulatórias de capital, que considerou incompatíveis com a realidade de uma pequena gestora.
A Paxful anunciou encerramento global até novembro de 2025, citando custos de compliance e consequências de condutas dos antigos fundadores. A Monnos comunicou interrupção das operações em agosto de 2025 por restrições de acesso a ativos mantidos por um parceiro custodiante. Já a BitcoinToYou: teve paralisação e problemas com saques noticiados em julho de 2025.





